Políticos e órgãos públicos, mais próximos dos cidadãos
Autoridades e secretarias aderiram a ferramentas de comunicação na internet para divulgar política pública
Com as redes sociais, políticos brasileiros e órgãos públicos estão cada vez mais tentando se aproximar do cidadão, intensificando o contato direto. Usam a rede para divulgar políticas públicas e tratar de temas atuais, entre eles a sustentabilidade.
Na opinião de Luiz Orlando Algarra, membro da Papagallis, uma rede criadora de outras redes, a presença do político no ambiente virtual muda a percepção que os cidadãos têm dele, na medida em que for possível conhecer impressões pessoais das autoridades. "Isso é bom. Qualquer espaço de convivência faz emergir o que há de melhor em um ser humano", diz Algarra, também integrante de um grupo para discutir a emergência de novas abordagens na política a partir das redes sociais. "Todos os políticos deveriam se aproveitar desses canais."
Para Beth Saad, professora titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em mídias digitais, ainda é cedo para se falar em uso adequado dos sites de relacionamento por políticos.
"Precisamos separar modismo de uso competente. O Twitter serve para informar rapidamente e conduzir o internauta para outro lugar no ciberespaço. Mas tenho dúvidas sobre se um político sabe diferenciar isso. Hoje, muitas pessoas têm Twitter apenas para dizer que têm."
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), por exemplo, é um dos que têm usado as novas tecnologias no Brasil. Seu perfil no Twitter é acompanhado por cerca de 50 mil pessoas. Lá ele escreve sobre política, futebol e até mesmo sobre a vida em família.
Até agora, pelo menos 25 órgãos públicos do governo estão no Twitter. O primeiro, desde março, foi a Secretaria de Comunicação, que também está no Orkut, Facebook, YouTube e Flickr. De acordo com o secretário Bruno Caetano, essa experiência modificou o relacionamento dos paulistanos com o governo.
"Antes, a conversa com a população era muito esparsa pelo sistema de Ouvidorias, que ainda funcionam. O Twitter diminuiu os custos gerais e ficou mais fácil se comunicar", diz.
Inspirado nesse modelo, o secretario de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, também acaba de chegar ao Twitter. "Os jovens estão interessados. É preciso acompanhar", diz ele, que tem perfil no Orkut.
De acordo com Algarra, o diálogo entre políticos e cidadãos não é a grande vantagem das redes sociais na internet. "Isso é precondição em um sistema democrático. O diálogo deve funcionar independentemente de qualquer coisa. A internet facilita", diz.
Quem quer acompanhar os políticos brasileiros na rede pode consultar a lista preparada pelo site Politweets (www.politweets.com.br).
Atualmente, fazem parte dessa listagem 1 governador, 17 senadores, 47 deputados federais, 12 deputados estaduais e 47 vereadores.
MOBILIZAÇÃO
O Twitter tem se mostrado também uma poderosa ferramenta de mobilização política - a ponto de ter protagonizado um papel fundamental durante as eleições presidenciais do Irã, no mês passado.
Partidários da oposição encontraram no site a maneira mais eficaz de dizer ao mundo que o governo havia fraudado as votações. Para driblar a censura, convocaram internautas do mundo inteiro a retransmitir suas mensagens.
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