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Por que insistir com remontagens?

Mesmo depois de fiascos, emissoras e estúdios dos Estados Unidos seguem apostando em remakes de séries famosas

04 de janeiro de 2010 | 0h 00
Bill Carter, THE NEW YORK TIMES - O Estadao de S.Paulo

No outono de 2000, todo o burburinho no setor de televisão foi em torno de um novo seriado na CBS, sábado à noite. Não tem nada a ver com a série CSI, que aliás não provocou nenhum estardalhaço, mas tem bons índices de audiência. Não, a agitação tinha a ver com o remake de O Fugitivo, o clássico seriado do homem inocente em fuga, dos anos 60. Uma série que, parecia, seria impossível de perder. Mas durou só 23 episódios.

Um outro remake mal sucedido foi o de A Mulher Biônica. A NBC fez uma nova versão em 2007 da série de ficção dos anos 70, que foi lançada como o mais esperado programa daquela temporada ? e desapareceu completamente depois de nove episódios.

Tudo isso poderia ter servido de lição, mas você verá que não é bem assim, quando examina as listas atuais de produção de três redes de TV principais dos Estados Unidos. Entre os mais importantes projetos sendo analisados para novas séries na próxima temporada estão títulos familiares, como Arquivo Confidencial, na NBC; As Panteras, na rede ABC e Havaí 5-0 na CBS. Sim, tudo é remake.

Todos os projetos foram anunciados com muito alarde, contudo os criadores das séries e altos executivos do alto escalão das redes não quiserem dar detalhes das novas versões, dizendo que os roteiros ainda estão sendo redigidos. Mas manifestaram um grande entusiasmo quanto às possibilidades para os projetos.

É fácil entender a razão. "É uma boa ideia tentar", disse Warren Littlefield, que foi um importante programador na NBC e hoje trabalha como produtor independente. "O cinema já provou que é possível se sair bem com uma ideia já promovida anteriormente."

É uma outra maneira de dizer que é natural retornar a histórias familiares porque elas despertam atenção. A questão é se as séries que vão resultar dos remakes atrairão de fato os telespectadores.

Tentativas passadas mais do que sugerem um "não". Na história das redes de TV, nenhum remake de uma série que foi sucesso se tornou novamente um sucesso.

E muita coisa foi tentada. Nos últimos anos, vimos tentativas para reviver Barrados no Baile e Melrose Place na rede CW. Ninguém diria que um desses seriados chegou a se aproximar do sucesso das suas predecessoras, ou mesmo que tenha tido algum sucesso.

A NBC causou grande sensação quando trouxe de volta para a telinha A Super Máquina, apresentando um carro falante num filme de duas horas em 2008, mas a série que resultou depois derrapou rapidamente.

No início da década o muito bem sucedido produtor de Lei e Ordem, Dick Wolf, tentou fazer uma nova versão do clássico Dragnet, que mal sobreviveu a uma única temporada (Quem se lembra que Ed O" Neill interpretou Joe Friday e que uma das atrizes coadjuvantes era Eva Longoria?). Quantas pessoas conseguem passar num teste sobre quem substituiu Rod Serling como o apresentador na série Além da Imaginação ? (foi Forest Whitaker). Pesquisando os arquivos de seriados passados, talvez se possa defender alguns programas derivados de sucessos originais. Jornada nas Estrelas, naturalmente, deu nascimento a quatro séries separadas, mas foram todas subprodutos. Não foram remakes do original com os mesmos personagens.

Em vez disso, todos os personagens que apareceram numa série de filmes teatrais, enquanto que os seriados para a TV obtiveram muito mais sucesso: Missão Impossível, Agente 86, Família Addams e A Família Dó, Ré, Mi, só para citar alguns.

Battlestar Galactica, um fracasso da ABC em 1978 (21 episódios), retornou com uma recepção mais favorável na rede Sci-Fi, em 2004, mas na TV a cabo.

Dragnet surgiu como um seriado de rádio e foi produzido para a TV em 1951. A temporada terminou em 1959, mas retornou em 1967 e foi novamente um sucesso. Mas a segunda versão foi menos um remake e mais um renascimento. Ainda tinha como estrela Jack Webb interpretando Joe Friday, com o mesmo tema musical e a apresentação dos nomes mudada para proteger os inocentes.

Os títulos conhecidos em fase de desenvolvimento são realmente remakes: As Panteras será estrelado por três novas atrizes; Havaí 5-0 ainda poderá ser liderado por um sujeito sensato chamado McGarrett; e Arquivo Confidencial trará inevitavelmente a figura de um detetive chamado Jim Rockford.

Talvez o mais importante, no caso dessas novas séries, é que seus criadores têm os melhores currículos em televisão. Arquivo Confidencial está sendo escrito por David Shore, a principal força criativa por trás do bem sucedido House.

O problema envolvendo o quanto refazer e o quanto reinventar atrapalhou muito as tentativas anteriores para trazer de volta programas e personagens familiares ao público. "A identidade de um seriado de sucesso está tão intimamente ligada às estrelas, ao estilo e atitude originais, que transformá-lo de novo num sucesso significa que um desvio do original pode criar um sentido real de dissonância estética", disse Robert J. Thompson, professor de TV e cultura popular na Universidade de Siracusa.

"Em televisão, é muito mais seguro partir do zero do que fazer um remake. É perfeitamente plausível criar um programa de TV sobre três belas mulheres combatendo o crime em roupas fabulosas; mas talvez não seja uma boa ideia chamá-las de As Panteras. Para Littlefield, porém, o passado lamentável de remakes feitos anteriormente não deve desencorajar programadores das redes a continuar apostando em projetos baseados em antigos sucessos. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO