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PORTO DIGITAL AMPLIA ATUAÇÃO

22 de janeiro de 2012 | 3h 09
O Estado de S.Paulo

O Porto Digital é um exemplo de sucesso de política pública para fomentar a criação de um polo de tecnologia no País. Quando foi criado, já existia o Cesar, instituto de pesquisa surgido na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e algumas empresas na região. Mas o Porto Digital conseguiu criar uma marca reconhecida pelo mercado de tecnologia da informação de todo o País, revitalizou o centro histórico do Recife e ainda atraiu operações de grandes empresas, como IBM e Microsoft.

No fim do ano passado, o Porto Digital expandiu sua área de atuação, tanto do ponto de vista físico quanto de setores econômicos. A prefeitura do Recife estendeu a redução do Imposto sobre Serviços (ISS), de 5% para 2%, para uma área de 450 mil metros quadrados no bairro de Santo Amaro, próxima do local onde hoje está instalado o Porto Digital. E também estendeu o benefício para empresas do setor de economia criativa, além da tecnologia da informação.

Francisco Saboya, diretor-presidente do Porto Digital, diz que, historicamente, faz todo o sentido ampliar a atuação do porto para a economia criativa. "O Cesar e o Porto Digital surgiram ao mesmo tempo que o Manguebeat", lembra Saboya. O movimento musical, que combinava ritmos regionais com o pop mundial, surgiu nos anos 1990 no Recife, com bandas como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. Uma das músicas do Mundo Livre S.A. era até chamada "Manguebit", em que a batida do nome do movimento era trocada pela menor unidade de informação.

"Além disso, as atividades são imbricadas", diz Saboya. "Por exemplo, nos games e na animação 3D." Ele também apontou o bom momento do cinema pernambucano, com diretores como Cláudio Assis, como motivo para a economia criativa no Porto Digital.

Um dos segredos do sucesso do Porto Digital é que ele não depende do governo. "Quando foi criado o núcleo de gestão, recebemos alguns imóveis, que alugamos para empresas", diz Saboya. "Atualmente, 80% a 85% do custeio do Porto Digital já são garantidos por receitas recorrentes, que são os ativos imobiliários e as taxas de administração de projetos."

O Núcleo de Gestão do Porto Digital é uma associação civil sem fins lucrativos. "Somos 39 pessoas no núcleo, com capacidade de captação de R$ 74 milhões", diz Saboya. O Porto Digital conseguiu captar, para três anos, R$ 74 milhões para projetos, que incluem a formação e certificação de 6 mil profissionais.


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