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Portugal e China propõem intercâmbio

Comemorações seriam nos moldes do Ano da França no Brasil

02 de outubro de 2009 | 0h 00
Fernanda Aranda - O Estadao de S.Paulo

Depois do crepe Suzette, é a vez do bolinho de bacalhau e do rolinho primavera. A iniciativa de celebrar o Ano da França no Brasil abriu as portas para outras nações pleitearam o mesmo projeto. Oficialmente, o Ministério da Cultura já negocia que 2010 seja o Ano de Portugal no País. Em 2014, com chances de antecipação, está previsto o intercâmbio cultural com a China. Também querem aderir Bélgica, Chile, Cuba e Senegal.

Tudo começou em 2005, quando foi celebrado o Ano do Brasil na França. A parceria previa a realização de eventos culturais, econômicos e sociais para fortalecer os laços entre os países. Neste ano, o intercâmbio foi invertido e as fronteiras do projeto, ampliadas.

"Os números de 4 anos atrás não deixaram dúvidas de que foi uma estratégia bem-sucedida. Na França houve crescimento de 20% nas matrículas em cursos de português e, aqui, aumento de 27% nas viagens para a França, além de incremento de três vezes no volume de negócios entre os dois países", afirma o secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy.

Os "frutos" do Ano da França no Brasil ainda estão sendo calculados (leia mais ao lado), mas animaram outros governos a buscar os efeitos. Portugal, por exemplo, negocia a iniciativa com o objetivo de ganhar força na defesa da língua portuguesa como idioma oficial na reunião das Nações Unidas.

"Não é adequado que fiquemos fazendo traduções de algumas palavras e conceitos que não são transmitidos da mesma forma, de um idioma que é o mesmo", afirma José Oliveira Magalhães, vice-presidente da Casa de Portugal de São Paulo.

Também é com o fio condutor do idioma que o presidente da Aliança Brasil-China, Sung Tien Lo, comemora a proposta do ano chinês verde-amarelo. "O mandarim, na era da globalização, mostrou sua importância e deve ser peça fundamental do Ano do Brasil na China. A tendência é aumentar as universidades brasileiras que focam o chinês", acredita. "Os chineses já escolheram o Brasil como pátria. A troca cultural, se der certo, será ótima."

Os dois países oficialmente candidatos têm razoável intimidade com a cultura brasileira. A medicina da China faz parte da grade médica nacional - a acupuntura é tão trivial quanto raio X. Outro exemplo é a rede de fast-food de comida chinesa que vende feito pizza no Brasil: segundo o proprietário, são servidas, em média, 42 mil refeições diárias. E os laços entre portugueses e brasileiros são mais que fortalecidos.

O Ministério da Cultura diz que a estrutura já criada atende qualquer país que queira fazer parcerias - mesmo que não seja assim tão íntimo. Extraoficialmente, belgas e chilenos já pediram para entrar na fila - e Cuba também, que sempre torceu o nariz para as fronteiras globalizadas. Está quase tudo certo para que, ano que vem, algum mês concentre o "mês dos cubanos no Brasil", diz Manevy, da Cultura. Senegal quer liderar um projeto como esse entre os países africanos e o povo brasileiro.