Potências apresentam à AIEA resolução sobre Irã
Apesar de expressar 'preocupação' com o programa nuclear, texto não prevê novas sanções e satisfaz Rússia e China
VIENA - EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha apresentaram ontem à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) um projeto de resolução no qual expressam "profunda preocupação com as atividades nucleares do Irã". Em concessão feita à Rússia e à China, o documento, apesar de criticar o avanço do programa iraniano, não dá um ultimato para que o país permita uma investigação internacional.
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O texto deve ser discutido e votado hoje, durante reunião do conselho da AIEA, que reúne os 35 países-membros da agência. O esboço de resolução afirma que "alguns temas do programa nuclear iraniano precisam ser esclarecidos para excluir a existência de uma possível dimensão militar".
Apesar de aumentar a pressão internacional sobre o Irã, o documento não satisfez americanos e israelenses, que esperavam usar o texto para a adoção de mais sanções a Teerã. A maior frustração de Washington é que o projeto não remete o caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU, o que abriria caminho para novas medidas contra o país.
Na semana passada, o relatório da AIEA sobre o programa atômico do Irã indicou que o país tem buscado produzir uma bomba nuclear. O texto, no entanto, dividiu a comunidade internacional. Americanos e europeus tentaram usar o documento para convencer China, Rússia e países emergentes, como Brasil e Índia, de que o Conselho de Segurança precisa aprovar novas sanções contra Teerã.
Reação iraniana. Chineses e russos afirmam que o relatório não trouxe evidência concreta capaz de provar que o programa iraniano está se "militarizando" e criticaram o uso político da AIEA.
Ontem, antes da apresentação do esboço de resolução, o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, propôs o envio de uma missão ao Irã para esclarecer as suspeitas apresentadas pelo relatório da agência. "É evidente que o Irã tem perguntas a responder", disse Amano. "Temos de alertar o mundo antes que a proliferação nuclear realmente ocorra."
O Irã, no entanto, afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e critica o relatório da AIEA, garantindo que as informações divulgadas são falsas e afirmando que a agência é tendenciosa. Teerã declarou ainda que enviará uma resposta técnica à AIEA, rebatendo todo o conteúdo do texto.
Novas sanções. A Rússia disse ontem que ficou satisfeita com o texto da resolução. "O mais provável é que seja aprovado", disse o chanceler russo, Sergei Lavrov. "Chegou a hora de intensificar o diálogo."
Nos EUA, o senador republicano Mark Kirk divulgou um projeto de lei para dar poderes ao presidente Barack Obama para cortar qualquer financiamento a instituições que negociam com o Banco Central do Irã e congelar seus bens no país. "Sem uma ação séria e imediata, o Irã terá capacidade de produzir armas nucleares no futuro próximo", disse Kirk. / REUTERS e AP
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