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Potências tentam levar armas à oposição síria

Especialistas afirmam que países ocidentais e árabes decidiram abalar o regime de Damasco ampliando o poder de fogo de grupos anti-Assad

12 de fevereiro de 2012 | 3h 07
GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK - O Estado de S.Paulo

Distante de uma intervenção militar convencional na Síria, os EUA e seus aliados europeus e árabes optaram por treinar e armar a oposição, que passaria a ter a capacidade de lutar contra as forças do regime sírio. Ao mesmo tempo, tentam cortar o fornecimento de armas a Damasco.

"A mais importante linha de fornecimento de armas para os rebeldes é o Líbano - mas também é a mais complicada de manter", de acordo com análise da consultoria Stratfor.

Uma das dificuldades tem sido a logística para armar a oposição. Apenas armas de pequeno e médio porte têm entrado no território sírio.

A Síria mantém uma ampla rede de operações dentro do Líbano, ocupado por tropas sírias por cerca de três décadas até 2005. Além disso, o regime de Assad conta com o apoio do grupo xiita Hezbollah, praticamente um Estado dentro do Estado no território libanês.

"Os rebeldes sírios possuem duas principais rotas (para entrada de armas). Uma delas, é através da região norte do vale do Beqa em direção a Homs. A outra parte da área central do Vale do Beka, cruzando as montanhas do anti-Líbano até os subúrbios de Damasco", afirma Reva Bhalla, da Stratfor. São justamente essas as duas áreas que mais registraram episódios violentos contra o regime de Assad.

O Hezbollah enfrenta dificuldades para atuar nessas regiões, majoritariamente sunitas dentro do Líbano. Lá, facções ligadas ao ex-premiê libanês Saad Hariri, inimigo aberto de Assad, controlam a fronteira. "Ainda assim, a organização xiita, com membros da Guarda Revolucionária do Irã e agentes do regime sírio, tem agido para intimidar os adversários por meio de sequestros e até mesmo assassinatos", afirma a Stratfor.

Segundo Wayne White, ex-diretor de inteligência de Oriente Médio no Departamento de Estado, os EUA também tentam "monitorar e obstruir o envio de armas da Coreia do Norte, de países do Leste Europeu e da ex-União Soviética para Assad. Além disso, têm levado adiante uma política de exibir o máximo de imagens da repressão do regime para deixar governos estrangeiros envergonhados de apoiar Assad".

O treinamento de desertores, segundo White, é feito em geral na Turquia. Ex-soldados de Assad recebem noções de guerra urbana e de guerrilha, para então voltar ao combate na Síria.

"O complicado é conter o Irã", que tem usado o território iraquiano para armar Assad. O Iraque, também aliado do regime sírio, "é mais fácil de controlar porque seu armamento é normalmente americano e temos como rastrear", acrescenta.