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PR e PTB buscam saída para o ocaso dos seus caciques

Prisão de Valdemar Costa Neto e condenação do delator Roberto Jefferson levam à pulverização do poder interno nas legendas

08 de dezembro de 2013 | 2h 06
Eduardo Bresciani - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A prisão de Valdemar Costa Neto (PR-SP) anteontem e a condenação definitiva de Roberto Jefferson (PTB-RJ), que aguarda definição do Supremo Tribunal Federal se ficará em prisão domiciliar ou será recolhido no regime semiaberto, consolidam um quadro de renovação e divisão de poder nas duas legendas.

Até o julgamento, os dois condenados no processo do mensalão exerciam havia anos um poder quase absoluto em seus respectivos partidos. Agora, o principal efeito de seus ocasos políticos é a pulverização do poder interno por meio da formação de pequenos colegiados para tomar decisões, além de uma maior aproximação com o governo da presidente Dilma Rousseff.

No PR, antigo PL, Costa Neto assumiu o papel de principal liderança após a morte de Alvaro Valle em 2000. Comandou a construção da aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participando da reunião em que ficou decidida a chapa com José Alencar na vice e um pagamento milionário do PT ao partido, episódio que consta dos autos do mensalão.

Com a condenação de Costa Neto em 2012, o então deputado deixou a secretaria-geral da legenda e teve sua influência reduzida. O espaço político foi ocupado por um grupo de parlamentares.

O atual presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), comanda hoje a legenda com um colegiado mais amplo para as decisões. Os senadores Blairo Maggi (MT) e Antonio Carlos Rodrigues (SP) e o líder na Câmara, Anthony Garotinho (RJ), participam de quase todas as definições da legenda. Os deputados Luciano Castro (RR) e Lincoln Portella (MG) são outros que influem na cúpula. "O partido está mais aberto ao diálogo", diz uma das lideranças da sigla.

A abertura de decisões é uma forma do grupo se blindar e evitar que a derrocada de um deles seja também a do partido. O próprio Nascimento, por exemplo, foi alvo da "faxina" em 2011 ao perder o comando do Ministério dos Transportes, mas conseguiu manter a influência na sigla e emplacou César Borges na pasta em abril deste ano. O movimento selou a reaproximação com o Planalto e praticamente garantiu o apoio a Dilma para 2014, ainda que em alguns Estados, como Minas Gerais, a legenda seja aliada do PSDB.

Racha. No PTB, Jefferson também passou a centralizar decisões como herdeiro de outro político. Ele assumiu a presidência da legenda com o falecimento de José Carlos Martinez em 2003. Após denunciar o esquema de corrupção, no qual seu partido era beneficiário, rachou o partido ao forçar coligações com chapas de oposição ao PT mesmo com a bancada no Congresso tendo forte DNA governista.

A condenação definitiva e o câncer que o abateu em julho do ano passado foi tirando as decisões das mãos de Jefferson. Em setembro de 2012, o ex-deputado Benito Gama assumiu a presidência da legenda e instituiu um comando compartilhado com os líderes no Senado, Gim Argello (DF); na Câmara, Jovair Arantes (GO); e o presidente do diretório paulista, deputado estadual Campos Machado. Todos, ao contrário de Jefferson, defendem o apoio da sigla à reeleição de Dilma. A união fez ainda com que o partido passasse a ocupar cargos no governo Dilma. Benito está na vice-presidência de Governo do Banco do Brasil e a legenda trabalha para fazê-lo ministro em 2014.

Os integrantes do PTB afirmam que há mais liberdade nos diretórios regionais. "Hoje não tem mais aquele comando duro e todos passaram a ter mais autonomia e influência. Agora para qualquer decisão sempre tem uma reunião em que todos são ouvidos. O partido se oxigenou", diz um dos novos caciques.





Tópicos: PR, PTB, Mensalão

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