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Presidente da CNBB quer manifestação do governo

28 de fevereiro de 2013 | 2h 03
O Estado de S.Paulo

O silêncio do governo brasileiro diante da despedida do papa Bento XVI surpreendeu o presidente da CNBB, d. Raymundo Damasceno, que cobrou uma mudança de atitude de Brasília. "Preferiria que o governo se manifestasse, expressasse votos de bem-estar ao papa. Seria algo normal", disse ao Estado após a despedida pública do papa.

"Num país que tem uma relação normal com a Igreja, com um núncio apostólico, com uma maioria católica, eu acho que seria normal, tendo em vista que outros governos estão tomando essa iniciativa", insistiu.

O Vaticano confirmou que o papa Bento XVI recebeu nos últimos dias "dezenas de mensagens" de apoio de governos estrangeiros. Ontem, três presidentes resolveram viajar a Roma para acompanhar a despedida. "Claro que o governo brasileiro é livre e não precisa seguir outros chefes de Estado. Mas seria de bom tom fazer a manifestação."

O cardeal afirmou não saber o porquê do silêncio do governo e qualificou como "normal" a relação com a CNBB. Mas que, desde o início do governo de Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto apenas concedeu uma reunião aos cardeais com a presidente.

"Não temos tido nenhum conflito, pelo menos não de nossa parte", disse. "O que ocorre é que sempre nos pronunciamos sobre questões atuais. Se agrada ou não ao governo, já é outra situação." Como exemplo, ele citou a "posição clara sobre as questões indígenas" e uma atuação forte na questão do Código Florestal. "Temos tomado posições sobre essas questões de maneira muito livre, dentro de uma ética. Agora, se isso tem provocado algum esfriamento ou desgosto, não saberia dizer porque nunca se manifestaram sobre isso."

Essa não é a primeira vez que há uma saia justa com o Vaticano. Em 2007, o então chanceler Celso Amorim viajou ao Canadá justamente no momento em que o papa estaria no Brasil. Na Santa Sé, a atitude foi recebida com espanto. Dias antes das eleições que escolheram Dilma Rousseff como presidente, o papa faria declarações contrárias às posições da então candidata.

Diplomatas brasileiros confirmaram ao Estado o "estranhamento" de parte do governo sobre o silêncio do Planalto. Mas disseram também que não há um protocolo sobre como reagir quando um governante renuncia. A situação no Vaticano promoveu um debate sobre isso. / JAMIL CHADE






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