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Presidente da Toyota pede desculpas

Foi a primeira declaração de Akio Toyoda, neto do fundador da empresa, desde que recalls foram anunciados

06 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Hiroko Tabuchi, Nick Bunkley - O Estadao de S.Paulo

THE NEW YORK TIMES
NAGOYA, JAPÃO
O presidente da Toyota se desculpou, numa entrevista organizada às pressas ontem, pelos problemas de qualidade que ocasionaram o recall de mais de nove milhões de carros da empresa em vários países. Ele também prometeu que a montadora japonesa anunciaria em breve medidas para enfrentar os problemas com os freios do Prius 2010.

Akio Toyoda, neto do fundador da Toyota, fez suas primeiras considerações formais desde o início do rumoroso caso envolvendo sua empresa, a maior fabricante mundial de automóveis, e assumiu responsabilidade pessoal pelos problemas. "Lamento profundamente ter causado preocupações em tantas pessoas", disse. "Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para recuperar a confiança de nossos clientes." Perguntado se a Toyota havia subestimado a situação, Toyoda disse: "Acredito que o que está acontecendo agora é um problema muito grande. Estamos numa crise."

Toyoda também pediu desculpa aos acionistas pela queda do preço das ações da companhia - de cerca de 20% nas duas últimas semanas.

O executivo disse que um comitê seria criado para cuidar de questões de qualidade. Com seus comentários, ele se tornou o segundo presidente sucessivo da Toyota a se desculpar por defeitos em carros da companhia - e o segundo a montar um comitê para tratá-los.

Em 2006, seu antecessor, Katsuaki Watanabe, chocou os observadores com uma mesura profunda numa entrevista na qual prometeu que a Toyota melhoraria sua qualidade. Mas muitos carros envolvidos nos dois recalls recentes, um por pedais de acelerador que prendem, outro por tapetes de piso que poderiam enganchar nos pedais, continuaram oferecidos à venda após esse esforço.

Um dos carros hoje em questão é o híbrido Prius 2010, a mais nova versão do carro mais importante da Toyota. A fabricante disse que estava trabalhando numa solução para resolver problemas com os freios antitravamento do carro, que foram redesenhados para o modelo 2010. A Toyota vendeu mais de 300 mil dos novos Prius no Japão, EUA e Europa desde que ele foi introduzido.

Toyoda está entre os mais conhecidos executivos do setor, mas esteve nitidamente ausente nas últimas semanas, apesar das dificuldades de sua companhia em três continentes para conter as consequências dos problemas que abalaram sua antiga reputação de qualidade. Até ontem, os únicos comentários públicos de Toyoda surgiram numa breve entrevista para uma emissora japonesa nos bastidores do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.

LENTIDÃO

A lentidão da Toyota para enfrentar seus problemas foi criticada por autoridades reguladoras nos Estados Unidos e no Japão. No começo da semana, o secretário americano dos Transportes, Ray LaHood, falou com Toyoda, após enviar funcionários de Washington ao Japão em dezembro.

"Os usuários estão notando defeitos e houve acidentes", disse o ministro dos Transportes do Japão, Seiji Maehara, ontem, antes do pronunciamento de Toyoda. "Isso me leva a crer que a Toyota não colocou os consumidores em primeiro lugar." Mas Toyoda disse que não foi esse o caso. "Eu vim aqui hoje porque não gostaria que nossos clientes passassem o fim de semana tentando imaginar se seus carros são seguros." Ele não quis responder uma pergunta sobre se a companhia havia retido informações relacionadas a preocupações de segurança. "A Toyota está comprometida com segurança", disse. E acrescentou num inglês arrevesado: "As pessoas que dirigem Toyota, que gostam da Toyota, estou um pouco preocupado enquanto elas estão guiando, elas se sentem um pouco cautelosas. Mas acreditem-me, o carro da Toyota é seguro, mas tentaremos melhorar ainda mais nosso produto."

Em circunstâncias normais, o problema de frenagem do Prius provavelmente não seria suficientemente sério para provocar um recall, disse David Champion, diretor de testes automotivos da revista Consumer Reports. Mas com a quantidade de atenção negativa que cerca a Toyota, e com duas comissões da Câmara de Representantes dos EUA programando audiências este mês, a fabricante precisa mostrar que está fazendo tudo que pode para mitigar os temores sobre seus veículos, disse Champion.

Perguntado sobre a razão para não estar comparecendo às audiências do Congresso, Toyoda disse: "Compareça quem comparecer pela Toyota, nós falamos com uma só voz." Na coletiva à imprensa, Toyoda parecia muito nervoso, mas consciente do longo caminho pela frente. "A Toyota continua numa tempestade, mas acredito que traçamos nosso percurso", disse. "Espero devolver a lucratividade à Toyota e contribuir para a revitalização do Japão."

Tradução de Celso M. Paciornik