Pressa levou EUA a fazer mais concessões a China e Rússia
Ao contrário das sanções contra Saddam Hussein nos anos 90, venda de[br]petróleo do Irã a Pequim deve continuar igual
As negociações de uma proposta para punir Teerã que evitasse vetos de Rússia e China e o acordo firmado na segunda-feira entre Irã, Brasil e Turquia levaram os EUA apresentar um plano de sanções menos rígidas do que pretendiam.
Os chineses sempre foram reticentes a sanções que pusessem em risco o seu comércio com o Irã, especialmente no caso do petróleo. Conforme demonstravam analistas nos últimos dias, com a proposta atual, talvez Pequim consiga manter sua posição praticamente intacta. No texto da proposta, quase não há referência ao setor energético e ao banco central iraniano, por onde passam a maior parte das transações financeiras realizadas no país - exatamente o inverso do que desejavam os EUA.
A China deve continuar comprando petróleo do Irã, seu terceiro principal fornecedor depois da Arábia Saudita e Angola. O ideal, na visão americana, seriam sanções similares às impostas a Saddam Hussein, no Iraque, nos anos 90, quando o embargo ao petróleo foi quase total.
O jornal The Washington Post também especula que os EUA fizeram vista grossa à venda de dois reatores nucleares da China para o Paquistão, violando acordos internacionais que proíbem essa modalidade de negócio com países não signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), como é o caso paquistanês.
A Rússia também pressionou os EUA a não serem tão duros na questão sobre a venda de armamentos. No fim, acabaram aceitando o acordo. Em parte, segundo analistas, porque a Rússia não estaria satisfeita com a emergência do Brasil e da Turquia como atores globais. Além disso, em Moscou, o Irã passou a ser visto como um rival na venda de gás para a Europa.
Havia também o temor de Obama de que Israel, insatisfeito com a falta de sanções, levasse adiante uma ação militar contra instalações iranianas. Neste caso, o regime de Teerã poderia bloquear a circulação de petroleiros no Golfo Pérsico e usar o Hezbollah para atacar Israel. / G.C.
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