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Pressão arterial deve ser medida nos dois braços do paciente

Valores diferentes podem indicar risco de doença vascular periférica, mostra revisão feita em 28 estudos

31 de janeiro de 2012 | 3h 01
Fernanda Bassette, de O Estado de S. Paulo

Uma revisão de 28 estudos publicada ontem na versão online da revista The Lancet aponta que os médicos deveriam medir a pressão arterial nos dois braços do paciente - e não apenas em um, como ocorre na maioria dos consultórios. Isso porque medidas diferentes de pressão nos braços podem indicar risco aumentado de doença vascular periférica.

No Brasil, diferença-limite na medição de pressão entre os braços é de 20 mm Hg - Filipe Araújo/AE - 12/09/2009
Filipe Araújo/AE - 12/09/2009
No Brasil, diferença-limite na medição de pressão entre os braços é de 20 mm Hg

Medir a pressão nos dois braços já é recomendado nas diretrizes de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia - a última atualização foi publicada em 2010. A norma orienta que na primeira consulta os médicos meçam a pressão nos quatro membros do paciente: nos dois braços e nas duas pernas - o que nem sempre acontece.

A revisão foi conduzida pelo médico Christopher Clark, da Universidade Exeter (Grã-Bretanha), e demonstrou que uma diferença de pressão sistólica acima de 15 milímetros de mercúrio (mm Hg) entre os dois braços está associada ao maior risco de ter uma das artérias parcialmente obstruída. Seria o caso, por exemplo, de um paciente ter a pressão arterial de 120 mm Hg por 80 mm Hg (12 por 8) em um dos braços e de 140 mm Hg por 80 mm Hg (14 por 8) no outro. A diferença de 140 para 120 é 20. Segundo o estudo, o paciente deveria ser encaminhado para exames mais específicos.

Aqui no Brasil, as diretrizes recomendam uma investigação mais aprofundada apenas nos casos em que a medição da pressão apresentar uma diferença superior a 20 mm Hg entre os dois braços. Para o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do InCor, esse é um ponto que poderá ser reavaliado no País.

"Uma das coisas mais importantes desse estudo é que a diferença de pressão entre os dois braços a ser considerada perigosa é de 15, enquanto aqui no Brasil o valor é 20. Talvez a gente tenha de rever as diretrizes e também baixar esse número", diz.

Exame clínico. Para o cardiologista Marcelo Ferraz Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a revisão de estudos reforça a necessidade de os médicos fazerem um exame clínico bem feito e mais demorado. "Medir a pressão nos dois braços faz parte do bom exame clínico e integra a diretriz. O problema é que no sistema acelerado de atendimento muitos médicos não fazem o exame corretamente por pressa", avalia.

A opinião é compartilhada pela cardiologista Fernanda Consolim Colombo, diretora da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. "Os resultados chamam a atenção para a necessidade de os médicos fazerem o melhor exame físico possível, independentemente da queixa. O médico pode surpreender uma doença assintomática como a hipertensão." Para medir a pressão corretamente, o paciente deve estar sentado, descansado, de bexiga vazia e não deve ter fumado.






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