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Pressão faz Ferrari recuar

Repercussão negativa da ordem a favor de Alonso na Alemanha leva equipe a deixar Massa livre para lutar pela vitória no GP da Hungria

31 de julho de 2010 | 0h 00
Livio Oricchio - O Estado de S.Paulo

A impressionante repercussão negativa para a Ferrari, a Fiat, proprietária da escuderia, e seus patrocinadores e parceiros técnicos, como o banco Santander e a Shell, bem como a possibilidade de ser punida pela FIA, levou a direção da equipe a rever sua política de privilegiar Fernando Alonso. Pelo menos no GP da Hungria, amanhã, 12.ª etapa do Mundial, o espanhol estará em pé de igualdade com seu companheiro de equipe, Felipe Massa.

A condenação mundial do ocorrido domingo, no GP da Alemanha, no qual a equipe mandou Massa deixar Alonso ultrapassá-lo, já causou mudanças na postura da Ferrari. Stefano Domenicali, diretor da equipe, confirmou com exclusividade ao Estado, ontem no circuito Hungaroring: "Tivemos uma reunião com Felipe depois da prova de Hockenheim. Se ele estiver em primeiro, aqui em Budapeste, vence. Esta é uma corrida muito importante para ele." E elogiou Massa: "Eu gosto de jogar basquete. O jogador mais importante do time não é quem faz a cesta, mas quem distribui o jogo."

Fãs da F-1 em várias nações ficaram chocados ao ver Felipe Massa deixar Fernando Alonso ultrapassá-lo para vencer o GP da Alemanha por ordem da Ferrari, para privilegiar o piloto mais bem colocado no campeonato. Muitos brasileiros propuseram boicote aos produtos Fiat, sócio majoritária da Ferrari, do banco Santander, patrocinador, e Shell, parceiro técnico.

Esse impacto somado à possibilidade de a equipe ser punida pela FIA, no julgamento de 10 de setembro, já que ordens de equipe são proibidas pelo regulamento, levou Domenicali rever a política do time, ao menos nessa fase da competição, restando, ainda, oito etapas. O presidente da empresa, Luca di Montezemolo, disse segunda-feira que sempre defenderia o interesse da escuderia acima de tudo.

Quinta-feira, quando perguntaram a Massa se deixaria Alonso ultrapassá-lo novamente, como fez domingo em Hockenheim, o piloto respondeu: "Não. Aqui venço eu. Sei o que estou falando." E ontem respondeu de novo para a imprensa que desejava saber, agora, como podia garantir: "Com certeza eu sei o que digo." Ontem Domenicali ratificou o que disse seu piloto.

Para ganhar o GP da Hungria será importante para Massa conquistar hoje, na sessão que definirá o grid, um lugar na primeira fila, preferencialmente, diante da dificuldade de se ultrapassar no lento circuito de 4.381 metros. A Globo transmite a classificação a partir das 9 horas.

"Temos imenso carinho por Felipe. Creio que nunca recebeu tanto apoio de uma equipe. Quando não se sabia com precisão como regressaria (referia-se ao acidente na Hungria, há um ano), nós sempre estivemos do seu lado", lembrou Domenicali.


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