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Prisão na Cracolândia causa confronto

22 de janeiro de 2014 | 2h 02
Laura Maia de Castro - O Estado de S.Paulo

A prisão de um acusado de tráfico de drogas pela Polícia Militar causou tumulto na tarde de anteontem na Alameda Barão de Piracicaba, no centro de São Paulo. Desde a semana passada, a rua concentra o maior número de usuários de crack da região da Cracolândia.

Comerciantes do bairro e usuários de droga relataram violência da PM durante a ação. "Eles empurraram uma grávida", disse um dos dependentes. "Ouvi três bombas", disse a comerciante Renata Moura Soares, de 30 anos. "O pessoal que foi lá disse que um policial jogou gás em uma gestante."

Segundo o tenente William Thomaz, coordenador da operação Nova Luz, houve reação dos usuários de droga durante a prisão e, por isso a polícia teve que usar uma bomba de efeito moral. "Já existe uma movimentação natural dos usuários quando a viatura vai prender o traficante. Eles atiram pedras e paus. Ontem, eles tentaram virar a nossa viatura. Com base nisso, uma viatura nossa da Força Tática foi em apoio." O preso foi levado ao 77.º DP (Santa Cecília).

Ainda de acordo com o tenente, a PM tinha informação que o tráfico era realizado por uma mulher e um homem, mas os policiais não conseguiram abordar a mulher. "Não tenho a informação se ela estava grávida", acrescentou.

Desde a última sexta-feira, a polícia já prendeu sete acusados de tráfico só na Alameda Barão de Piracicaba. Dois procurados pela Justiça também foram presos e cerca de 700 pedras de crack, apreendidas.

Programa. Até o momento, 350 ex-moradores da favela da Cracolândia estão cadastrados na Operação Braços Abertos. O programa da Prefeitura consiste no custeio de aluguéis de quartos da região, fornecimento de refeições , acompanhamento médico e um emprego de varrição de praças.

Ontem, em entrevista à Rádio Estadão, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que um grande número de usuários cadastrados tem trabalhado. "Ontem 292 dos 300 beneficiários (do balanço anterior) compareceram ao trabalho e trabalharam 4 horas do dia. Provavelmente não faziam isso há anos." / COLABOROU MARCEL NAVES


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