Produção de etanol pode elevar emissão de CO2
Se não for feita com cuidado, a expansão da área plantada para elevar a produção nacional de biocombustível até 2020 pode forçar criadores de gado a avançar sobre o Cerrado e a Amazônia. O movimento geraria desmatamento e a consequente emissão de gases do efeito estufa que o País levaria mais de 200 anos para compensar.
É o que diz um estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. O trabalho, de pesquisadores de instituições da Alemanha e das Nações Unidas, foi encabeçado pelo brasileiro David Lapola.
O estudo simula cenários em que, para elevar a produção de biocombustíveis em 35 bilhões de litros até 2020, a área plantada com soja aumentaria de 191 mil km², em 2003, para até 285 mil km², em 2020. A de cana iria de 55 mil km² para 90 mil km². Se esse padrão de substituição se mantiver e a produção de carne continuar aumentando, serão necessários 3 milhões de km² de pastagens no Brasil em 2020. O valor significaria 44% a mais do que em 2003, e parte dessa área possivelmente seria subtraída do Cerrado e Amazônia. A devastação geraria emissões de CO2 que só seriam compensadas por séculos de uso de biocombustível.
Para evitar o problema o País poderia reduzir a exportação de carne ou aumentar a produtividade da pecuária. A secretária nacional de Mudanças Climáticas, Suzana Khan, teme que o estudo provoque um desserviço.
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