Professores falam em ''radicalização''
Após caminhar da Paulista à Praça da República e não conseguir contato com secretário, docentes prometem fechar todas as escolas
Pela segunda sexta-feira consecutiva, sindicatos dos professores da rede estadual de São Paulo, liderados pela Apeoesp, paralisaram a Avenida Paulista e a Rua da Consolação por cinco horas, na tarde de ontem, provocando congestionamento na região central. O sindicato decretou greve no dia 8 e promete uma "radicalização", com outra passeata na sexta-feira, em frente ao Palácio dos Bandeirantes.
Segundo estimativas da Polícia Militar, a manifestação reuniu 8 mil pessoas, entre professores, diretores de escola e alunos. O movimento conta com o apoio das entidades sindicais CUT e Conlutas, e do PSTU. Para a Apeoesp, o evento reuniu 60 mil pessoas. Os manifestantes carregavam um boneco de pano representando o governador José Serra (PSDB) no qual estava escrito "governador vampiro". Uma faixa dizia: "Serra, pior governador paulista. Avaliado e reprovado."
Por volta das 18h15, quando dois carros de som chegaram à Praça da República, onde fica a sede da Secretaria de Estado da Educação, os líderes do movimento pediram para falar com o secretário Paulo Renato Souza.
Na ausência dele, decidiram acirrar a greve. "Queremos negociar, queremos pôr proposta na mesa. Mas o secretário não está. Trouxemos hoje o triplo de professores, mas isso não sensibilizou. Então, só tem uma palavra: resistência. E também radicalização", afirmou a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha. "Radicalização é fechar 100% das escolas."
Até ontem, a greve contava com baixa adesão, apesar dos números controversos: o sindicato fala em paralisação de mais de 60% dos docentes e o governo, em apenas 1%. Durante a semana, o Estado visitou escolas nas regiões norte, sul, centro e oeste da capital e, na maioria delas, as aulas estavam normais.
Na avaliação do secretário, a greve está diminuindo. Paulo Renato classifica o movimento como "eleitoral" e descarta reajuste para toda a categoria neste ano. As principais reivindicações da Apeoesp são reajuste salarial de 34% e fim dos programas criados pelo governo.
Pelego. No meio da tarde, quando o movimento passou pela Escola Marina Cintra, na Rua da Consolação, manifestantes ecoaram gritos de "pelego" para os professores da unidade, que não está em greve. No momento, várias mães buscavam seus filhos na saída da aula.
"Eu sei que é direito dos professores, mas eu sou contra a greve. Depois sobra para nós trazer o filho para repor aula no sábado", afirmou a dona de casa Fátima Silva, mãe de um aluno do 2.º ano do ensino fundamental. "A greve não faz diferença, a escola vai continuar igual."
Vestida de palhaço, a professora aposentada Maria Inês Ferrari defendia o ato. "É lamentável. Um professor ganha entre R$ 6 e R$ 7,50 por aula", disse ela, que trabalhou 32 anos na rede.
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