Projeto de corredor de ônibus na Sumaré provoca polêmica
Preocupação de especialistas e moradores é com o canteiro central; motoristas temem piora no tráfego
O projeto da faixa exclusiva para ônibus na Avenida Sumaré, na zona oeste, acabou de ser anunciado pela Prefeitura e já divide opiniões. Enquanto passageiros elogiam a medida, especialistas temem o impacto urbanístico na região. Já moradores e motoristas criticam o projeto, argumentando que a faixa vai poluir uma das poucas avenidas arborizadas da capital e piorar ainda mais o trânsito na via. O novo corredor passará também pelas Avenidas Brasil e Indianópolis. É um dos cinco que serão construídos até 2008.
"Ou se faz um projeto muito bem feito, respeitando as características do local, ou será um convite à deterioração", diz a arquiteta Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo. Ela cita o impacto dos corredores nas Avenidas Santo Amaro e 9 de Julho. "Houve uma deterioração muito grande." O maior temor de Lucila é a destruição do canteiro central - área de lazer para moradores da região. Ela acha difícil um projeto que não mexa nessa área e não atrapalhe o tráfego ao mesmo tempo. "A faixa de moto piorou tremendamente o trânsito na Sumaré." A solução, segundo ela, seria utilizar microônibus em vez dos veículos biarticulados. "Iriam atrair um público de classe média, da região", diz.
O presidente da Sociedade Viva Pacaembu por São Paulo, o engenheiro Pedro Py, diz acreditar na possibilidade de a Prefeitura encontrar uma solução que não cause impacto urbanístico. "Partindo das premissas corretas, é possível, dentro da engenharia, planejar um projeto que atenda a determinados objetivos", explicou. "Por isso, até acredito que o corredor na Sumaré possa funcionar", afirma.
Para Py, a Prefeitura não iria criar um corredor que acabasse com as árvores da avenida. "Numa época em que se discutem medidas de proteção ambiental, não acredito que o governo municipal tenha a coragem e a audácia de acabar com o canteiro central."
O consultor de trânsito Francisco Moreno Neto defende o corredor. "A informação que recebemos da Prefeitura é de que tamanho e largura do canteiro ficam do jeito que estão." Moreno Neto acha necessário um corredor na Sumaré. "Começa a haver um grande movimento de perueiros lá, sinal de que é preciso mais ônibus."
A Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Transportes informou que ainda não pode afirmar que impactos a obra causará. O projeto será feito pela empresa que vencer a licitação, que deve ser aberta em 60 dias.
POLÊMICA
"Aqui é um dos poucos lugares em que a gente pode respirar algum ar puro", diz a advogada Veruska Barbato, de 30 anos, enquanto caminha na avenida. "Se botarem o corredor, vai virar uma bagunça." Lúcia Lasinkas, de 43, pondera: "Se melhorar a cidade como um todo, tudo bem."
Os motoristas têm opiniões mais radicais. Reclamam que a pista já ficou mais estreita com a instalação da faixa para motos. "O trânsito aqui já é caótico. Vai ficar pior", afirmou Anderson Barbosa, de 28.
Passageiros de ônibus aprovam a idéia. Como a doméstica Eliete Bezerra, de 38 anos, que já usa o corredor da Francisco Morato para chegar ao trabalho, na Sumaré. "Não vejo a hora. Vou chegar mais rápido ainda."
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