PSDB avalia risco de explorar escândalo na TV
Estrategistas são céticos quanto ao efeito positivo apesar de bons sinais nas pesquisas qualitativas
As violações de sigilo fiscal dentro da Receita Federal levantaram questionamentos internos no QG de José Serra (PSDB) a respeito do uso eleitoral do caso, principalmente na televisão. Os estrategistas da oposição temem ruídos na comunicação com o eleitorado e são céticos quanto ao efeito positivo na candidatura tucana, apesar de pesquisas qualitativas terem mostrado que a exploração do episódio na TV foi bem recebida.
Ao tomar conhecimento do caso, no começo da semana passada, Serra ficou receoso de que a divulgação do episódio acarretasse exposição excessiva da filha Verônica, segundo relato de aliados. Acabou sendo convencido por integrantes do front político de que o caso deveria ser usado no programa eleitoral.
Desde junho, quando se tornou pública a existência de um grupo de inteligência na campanha de Dilma Rousseff (PT), os tucanos já desconfiavam de uma provável violação do sigilo fiscal de Verônica - blogs ligados ao governo mencionavam informações que só poderiam ter vindo da declaração de Imposto de Renda da filha do candidato.
A certeza veio na terça-feira, quando o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, conseguiu acesso a volumes adicionais da investigação feita pela Receita sobre a quebra do seu sigilo fiscal. O nome de Verônica apareceu a partir da página de número 500 - os primeiros documentos recebidos pelo tucano tinham 453 páginas.
Ao ser informada na terça-feira sobre a quebra de seu sigilo, Verônica pediu que a investigação não viesse a público. Não adiantou. Horas depois a informação já havia vazado.
No comando da campanha, não há clareza sobre os efeitos que o caso pode ter nas pesquisas. "O problema não é ter mais ou menos votos, mas deixar claro que Dilma é um envelope fechado e que a campanha do PT já tem tradição em dossiês. E, neste caso, em vez de ameaçar os adversários, seria melhor mandar investigar o caso seriamente", disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).
A campanha tucana monta grupos de eleitores, das classes C e D, para avaliar a propaganda eleitoral. Nos grupos, os eleitores de Serra ficavam indignados com a violação do sigilo após assistir ao programa eleitoral. Já os eleitores de Dilma que estavam na mesma turma mostravam resistência em acreditar na possibilidade de a candidata do PT estar envolvida no episódio.
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