PT nega sede e Delúbio realiza ato em 'porão'

Militância dá apoio a ex-tesoureiro em Brasília

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2012 | 03h07

A poucos dias do início do julgamento do mensalão, a cúpula nacional do PT impediu a realização, ontem à poite, de um debate em defesa de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido, em sua sede na capital. O evento, organizado por petistas da cidade-satélite do Guará, foi transferido para um porão da CUT no Conic, shopping do centro de Brasília, uma área de comércio popular, tráfico de drogas e prostituição.

Delúbio chegou à sede da CUT às 19h24, acompanhado de militantes que distribuíram uma brochura de 80 páginas com sua defesa, elaborada por um escritório de advocacia. No porão, muito quente, cerca de 50 petistas disputavam espaço com 30 jornalistas. Delúbio abraçou alguns militantes e depois se trancou num saleta com advogados.

Antes do debate, petistas chegaram a ordenar a saída da imprensa, mas voltaram atrás. Delúbio sentou-se à mesa sob gritos dos militantes: "Delúbio/guerreiro/do povo brasileiro."

Na conversa com os militantes, o ex-tesoureiro afirmou que o repasse de quantias milionárias para partidos e parlamentares aliados não foi fruto de corrupção, mas de caixa 2. Só que diferente: "Não era um caixa 2 clássico do Brasil, em que o dinheiro não tem origem nem destino", afirmou. Delúbio disse que 70% do dinheiro saíram do banco e foram para as empresas de Marcos Valério e depois para os presidentes dos partidos. "Se eles não prestaram contas não é problema nosso", defendeu-se. "Os recursos eram para despesas de campanha. Todo mundo pegou. Deu errado. Estamos pagando o preço", resignou-se Delúbio. Ele disse ainda que não tem raiva de ninguém. "Ódio e raiva não trazem felicidade." Se tinham de enquadrá-lo em algum crime, avisou, que o fizessem pelo Código Eleitoral e não pelo Penal.

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