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PT tem de ceder a aliados, afirma governador

Para Marcelo Déda, sigla terá de reconquistar a confiança da base aliada e mantê-la coesa para ficar no poder após 2014

08 de janeiro de 2013 | 2h 03
BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O enquadramento do PT será o maior desafio de Dilma Rousseff na tentativa de conquistar mais um mandato na eleição de 2014, na opinião de auxiliares palacianos e de políticos petistas ligados à presidente da República.

"A grande tarefa do PT para a eleição presidencial não é negociar com a base aliada o que o partido pensa e deseja, mas o que os outros querem para manter essa mesma base coesa e forte", afirma o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), conselheiro próximo da presidente.

"O PT precisa ter paciência para ouvir os aliados, suas angústias, suas críticas. E tem de dizer a eles a importância que têm para o projeto de governo, muito acima das fronteiras do próprio PT. Esse é o grande desafio da presidente da República e do nosso partido", diz o governador.

"Se recuperarmos a relação de confiança, já estaremos no caminho certo", completa Déda, segundo quem a maneira de agir do PT ajudará Dilma a equalizar as forças no Congresso, uma das tarefas principais da presidente para os dois anos que restam de seu mandato. A tarefa de convencer os petistas a cederem espaço, porém, não será fácil, adverte o governador.

Economia. Parte do PT, por exemplo, acredita que Dilma só será reeleita se o País crescer 4,5% ao ano, o que depende de inúmeras variáveis na economia.

Com 78% de popularidade fechados no final do ano, Dilma tem a convicção de que só manterá esse índice favorável se vencer desafios enormes, diz o governador de Sergipe. Ela terá, por exemplo, de evitar uma desaceleração econômica maior do que a de 2012, em que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá ficar menor do que 1% - depois de várias previsões otimistas da equipe econômica -, manter o atual nível de emprego, pôr em prática o pacote de melhorias na infraestrutura e retirar mais 6 milhões de pessoas da linha de pobreza. Dilma não poderá, segundo Déda, ficar apegada apenas à bandeira do combate à miséria. Outros projetos destinados à chamada nova classe média terão de aparecer, na avaliação de petistas ligados ao Planalto.

Na opinião do governador sergipano, a presidente deverá ainda mostrar que não tolera a corrupção, o que se faz necessário para neutralizar a emergente força do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. Embora não tenha filiação partidária nem tenha dado demonstrações de interesse por candidatar-se, o certo é que o governo considera o relator do processo do mensalão uma incógnita que poderia se animar com a recente popularidade. No Palácio do Planalto existe uma preocupação com o fato de pesquisa feita pelo Instituto Datafolha no final do ano passado ter apresentado Joaquim Barbosa com média de 10% da preferência do eleitorado na primeira vez em que foi mencionado em tal tipo de questionário.

Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, hoje não há como duvidar de que Dilma é a favorita à reeleição. "Acho que a oposição tem um quadro muito complicado pela frente. Não há uma liderança que justifique uma aposta precoce. O senador Aécio Neves (já apresentado como candidato dos tucanos para 2014) não decola. Uma aposta no Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB) ainda não pode ser feita, porque não sabemos ao certo o que ele quer."

Reis acha que hoje Dilma agrega, para o eleitor, a herança mítica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bolsa Família, ganhos salariais, e imagem de gestora que reduziu o desemprego. "Dilma só não vence a eleição se fizer uma bobagem muito grande, capaz de abalá-la. Não essas besteiras que são feitas todos os dias, porque essas não colam."

O cientista político não acredita nem que a preocupação com as condições de atendimento à saúde e falta de segurança pública possam prejudicar o projeto de reeleição da presidente.

"Esses são temas que aterrorizam a classe média. Não é novidade para o grosso do eleitorado, que vive isso no seu cotidiano. Como já aconteceu em outras eleições, ele parece não se importar com isso quando deposita o voto na urna." / J. D.




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