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''Queremos voltar a lutar no Brasil'', diz Erislandy Lara

Cubano, que tentou ficar no País após o Pan, vive hoje nos EUA, onde reencontrou o amigo Rigondeaux

25 de fevereiro de 2009 | 0h 00
Jamil Chade - O Estadao de S.Paulo

Os pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux querem voltar a lutar no Brasil. Depois de cinco anos de tentativas de escapar de Havana e de percursos diferentes para fugir da ilha de Fidel, os dois voltaram a se encontrar nesta semana, desta vez nos Estados Unidos, onde estão como refugiados. "Queremos voltar a lutar no Brasil", afirmou Lara, em entrevista por telefone ao Estado. Lara e Rigondeaux tentaram escapar da delegação cubana durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio. Mas foram entregues pela Polícia Federal ao governo cubano. Lara, hoje, garante que não tem mágoas do País. Mantém, contudo, a versão de que nunca queria ter saído do Brasil.

O então presidente Fidel Castro prometeu que os perdoaria pela tentativa de fuga. Mas os pugilistas contam que a história não foi bem assim ao chegar a Havana. Rigondeaux foi afastado e, apesar de ser bicampeão mundial e olímpico, não representou mais Cuba em competições. Lara nunca mais voltou a lutar em seu país.

Os dois tiveram de esperar mais dois anos para conseguir se reunir de novo fora de Havana. O primeiro a deixar Cuba foi Lara. O pugilista contou que usou uma lancha em uma praia afastada em Cuba no meio da noite e conseguiu chegar ao México. Rigondeaux também usou o México como plataforma para depois atingir Miami, no último domingo. Os dois pugilistas foram ajudados e incentivados a sair do país pela empresa alemã Arena Box Promotions, acusada por Havana de estar "roubando" seus atletas com promessas de dinheiro fácil.

Para a Arena, a fuga compensa financeiramente. Isso porque a empresa ganha boxeadores já formados e de alto nível para promover no mercado americano. Os promotores admitem que apostam suas fichas neles. "Rigondeaux e Lara serão campeões", afirmou ao Estado o empresário Luís de Cubas, representante da Arena Box. Em sua primeira luta nos EUA, em 9 de janeiro, Lara venceu por nocaute.

Para 2010, Lara e Luís de Cubas contam que já planejam um retorno ao Brasil para uma luta. "Quero muito voltar ao Brasil", disse o pugilista. O empresário acredita que o governo brasileiro vai aceitar a entrada dos dois cubanos. "Eles hoje são pessoas livres, já estamos em contato com organizadores no Brasil para promover a luta em 2010."

Entusiasmado com sua nova vida, Lara adotou discurso contra o regime de Havana. "Há tantos problemas em Cuba que eu não poderia começar a explicá-los. Em primeiro lugar, não há comida. As pessoas sofrem muito."

Lara diz estar "muito feliz" por ter conseguido sair de seu país. Ele mantém a tese de que foi devolvido ao governo de Cuba pela Polícia Federal do Brasil. "Sinceramente, até hoje não entendi o que ocorreu e por que voltamos a Cuba." Seu sonho, assim como o de Rigondeaux, é conseguir tirar a família de Havana. "Estou estudando como fazer isso. Tenho certeza de que conseguiremos."



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