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Rádio fechada passa a transmitir da rua

Várias emissoras desafiam governo venezuelano e operam pela internet

04 de agosto de 2009 | 0h 00
REUTERS, AFP E AP - O Estadao de S.Paulo

Várias das 34 emissoras de rádio venezuelanas que tiveram sua programação interrompida pelo governo conseguiram ontem romper o silêncio imposto pela Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel), passando a transmitir pela internet. Outras, como a cadeia CNB, uma das mais populares do país, que perdeu a licença de cinco emissoras, decidiu desafiar o governo e montou alto-falantes na rua.

"Hoje, a liberdade de imprensa está sendo restringida. Hoje, você tem uma opção a menos. Amanhã, não sabemos quantas teremos", disse Juan Carlos Rutilo, apresentador esportivo da CNB, que ontem levou seus equipamentos para a Praça Alfredo Sadel, em Caracas. "Por enquanto, esta será a nossa conexão com o público para não deixá-lo sozinho em um momento tão difícil como este", disse J.J. Bartolomeo, vice-presidente de relações institucionais do grupo.

Além dos programas feitos na rua, desde sábado todas as cinco emissoras do grupo CNB - além da de Caracas, as dos Estados de Zulia, Carabobo, Táchira e Falcón - passaram a transmitir também pela internet.

O grupo CNB é dirigido pelo empresário Nelson Belfort, que também é o presidente da Câmara Venezuelana de Radiodifusão. Belfort considerou "ilegal" o processo de fechamento das rádios. "Não tivemos direito a defesa", disse.

EMPREGOS

No entanto, segundo os diretores da rádio, dificilmente a internet conseguirá dar o mesmo retorno financeiro que as empresas tinham antes. "Muitas fecharão", disse Bartolomeo. "Estamos fazendo de tudo para manter os 200 empregos diretos que proporcionamos."