Reduzir sal faz tão bem quanto parar de fumar
Número de ataques cardíacos e de mortes cairia se população consumisse menos de 1 colher de chá por dia
Nova York
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine concluiu que diminuir o consumo de sal pode reduzir os casos de doenças cardiovasculares, derrames e enfarte agudo do miocárdio tanto quanto parar de fumar, combater a obesidade e controlar o colesterol.
O trabalho de cientistas das universidades da Califórnia, Stanford e Columbia mostra que, se todos consumissem menos da metade de uma colher de chá de sal por dia, ocorreriam entre 54 mil e 99 mil menos ataques cardíacos por ano nos Estados Unidos e entre 44 mil e 92 mil menos mortes.
Os resultados foram divulgados no momento em que autoridades de saúde dos EUA discutem políticas para reduzir a quantidade de sal nos alimentos industrializados, considerados a principal fonte de sal dos americanos. No Brasil, estudos mostram que a população consome o dobro de sódio do considerado saudável e que a principal origem dos níveis elevados é o hábito de adicionar sal e temperos prontos aos alimentos. Para adultos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo diário de 4 gramas de sal.
Na semana passada, a cidade de Nova York anunciou uma iniciativa para que indústria e restaurantes reduzam em 25% a quantidade de sal adicionada aos alimentos nos próximos cinco anos.
Instituições Públicas
Kirsten Bibbins-Domingo, professora de epidemiologia da Universidade da Califórnia em San Francisco e uma das autoras do estudo, defende que sejam determinados limites para a adição de sal nas refeições servidas em instituições públicas como prisões e escolas. Ela também afirma que a FDA, a agência norte-americana que fiscaliza medicamentos e alimentos, deveria passar a classificar o sal como uma substância que merece alertas sobre seu consumo em grandes quantidades.
"Por 40 anos tentamos reduzir as doses individuais de sal nesse país e não funcionou", disse Cheryl A. M. Anderson, da Universidade Johns Hopkins, que defendeu um esforço coletivo.
Mas Michael Alderman, professor da Faculdade de Medicina Albert Einstein, alertou que a redução radical dos níveis de sal pode levar a outros problemas de saúde, como desequilíbrio hormonal.
SAIBA MAIS
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) considera não saudáveis os alimentos que contêm pelo menos 400 mg de sódio para cada 100 g do produto
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para adultos, o consumo máximo, por dia, de 2 g de
sódio ou 4 g de sal
Análise divulgada em outubro de 2009 pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) reprovou dez marcas de macarrão instantâneo porque o seu tempero tinha até 15 vezes o valor diário de sódio recomendado. Em julho do mesmo ano, o
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) reprovou 20% de 42 marcas de sopas prontas pelo mesmo problema
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