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WAGNER VILARON

Reflexão catalã

23 de fevereiro de 2012 | 3h 00
WAGNER VILARON - O Estado de S.Paulo

Tem gente que não aguenta mais o assunto Barcelona. Entendo. Mas de tanto assistir, ouvir e ler sobre o tema, muitos são tentados a acreditar que o time catalão sempre jogou este futebol vistoso, baseado na posse e toque de bola. Mais do que isso. Repete-se o discurso de que se trata de uma escola antiga, que teria começado, dizem alguns, com os holandeses na década de 70.

Mas será que esta impressão de futebol total e de um estilo que vem de longa data é correta? Para buscar respostas dediquei parte de meu tempo nas últimas semanas a assistir a jogos da equipe catalã. Não apenas partidas atuais. Refiro-me a jogos antigos, das décadas de 80 e 90, e, claro, de um passado mais recente.

No carnaval, por exemplo, decidi rever Barcelona x Estudiantes, válida pela final do Mundial de Clubes de 2009. O Barça que esteve em campo diante dos argentinos, embora com a escalação muito parecida com a que "deu uma aula de futebol" (palavras de Neymar) ao Santos em dezembro passado (lá estavam Valdés, Pique, Puyol, Daniel Alves, Messi, entre outros), não mostrava a dinâmica de jogo que o notabiliza atualmente.

Para quem não lembra, os argentinos, comandados pelo excelente Verón, marcaram o primeiro gol e se mantiveram à frente do placar até os minutos finais da decisão, quando Pedro empatou e levou a definição do título para a prorrogação. Então foi a vez de Messi brilhar para garantir o primeiro Mundial dos catalães.

Na maior parte de sua história, o Barcelona exibiu grandes times. Porém, os detalhes do aclamado estilo de jogo atual foram colocados em prática nos últimos dois anos. Chegamos, então, a um ponto interessante: a participação do técnico Pep Guardiola em todo o processo parece ter sido bem mais relevante do que parece.

Considero uma crueldade dizer que o principal mérito de Guardiola é não atrapalhar. O espanhol tem pelo menos duas grandes virtudes. A primeira foi apostar - claro, com o suporte dos dirigentes - na ideia de que a posse de bola não serve apenas para aproximá-lo do gol, mas também para afastar o adversário de sua meta. A segunda é montar uma estrutura tática que possibilite tirar o máximo das características de cada jogador.

No entanto, a busca por respostas muitas vezes termina em mais perguntas: o estilo de jogo do Barça é resultado de uma concepção de futebol ou do respeito às características deste grupo? Se mudarem as peças, o estilo permanecerá? Sei não.



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