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Regime sírio mata civis de modo sistemático, diz comissária da ONU

14 de fevereiro de 2012 | 3h 07
GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK - O Estado de S.Paulo

Enquanto a Assembleia-Geral da ONU debatia ontem o texto de uma resolução condenando o governo de Damasco pela violência que já resultou na morte de cerca de 7 mil pessoas, a comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou "que o regime sírio mata civis de modo sistemático".

Pillay acrescentou que os abusos do governo indicam que crimes contra humanidade ocorrem desde março de 2011.

Ontem, o Líbano criticou o pedido da Liga Árabe para que a ONU enviasse uma força de paz ao país. "O que realmente queremos da Síria? Queremos mudança de regime ou uma solução política? Se quisermos uma solução política, devemos nos posicionar de um lado ou de outro? Esta resolução concede apoio político e financeiro para a oposição, mas trará estabilidade para a Síria?", questionou o ministro das Relações Exteriores libanês, Adnam Mansour, em reunião de chanceleres no Cairo.

Os governos do Líbano e do Iraque têm se mostrado relutantes em apoiar medidas contra o regime de Assad. No caso libanês, onde há facções favoráveis e contrárias ao líder sírio, existe o temor de que o país seja atingido por uma guerra civil na Síria.

Apesar de o governo evitar envolvimento, os opositores têm recebido contrabando de armamentos por meio de rotas que cruzam o vale do Beqaa e as montanhas do ante Líbano que terminam justamente nos arredores de Homs e de Zabadani, onde ocorrem os principais protestos contra Assad na Síria. O líder sírio, por sua vez, tem recebido apoio do Hezbollah.

Nos debates, também ocorreram trocas de acusações entre os embaixadores da Síria e da Arábia Saudita.

A resolução de peso apenas simbólico que seria votada na Assembleia-Geral tem base no plano da Liga Árabe para que Assad entregue seu poder para o vice, Farouq al-Shaara, que lideraria uma transição por meio de um diálogo com a oposição. Uma versão mais amena foi vetada pela Rússia e pela China no Conselho de Segurança.