Reitor da Uniban recua e cancela expulsão de aluna
Repercussão negativa mudou decisão da instituição; Geisy Arruda foi ameaçada por usar vestido curto
A repercussão negativa da expulsão da aluna Geisy Arruda fez o reitor e dono da Universidade Bandeirante (Uniban), Heitor Pinto Filho, revogar a medida na noite de ontem. A decisão foi tomada após um dia inteiro de discussões com as áreas de comunicação e publicidade da instituição.
Em 22 de outubro, a aluna do curso de Turismo foi xingada de prostituta e ameaçada de estupro por colegas ao frequentar a universidade vestindo um minivestido rosa. Recebeu críticas de funcionários, foi obrigada a se cobrir com um jaleco branco e teve de ser retirada do local pela polícia. No sábado, a instituição anunciou sua expulsão alegando "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". Os estudantes que agrediram a universitária foram suspensos.
Conforme havia prometido, o Ministério da Educação ontem pediu explicações à instituição. Também o Ministério Público Federal e a delegacia da mulher de São Bernardo do Campo anunciaram a abertura de apurações sobre a expulsão, criticada por senadores, deputados e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Cerca de 13 mil comentários sobre a atitude da Uniban, grande parte de repúdio, foram postados na rede social Twitter. Duzentas pessoas protestaram na porta da unidade. E o caso chegou à imprensa internacional.
Em entrevista ontem, antes da revogação, a estudante chorou e disse temer não conseguir prosseguir o curso. De acordo com seu advogado, ela só deverá se manifestar depois de comunicada. A mãe de Geisy, Maria de Fátima Arruda, ficou feliz ao saber da revogação. "Acho que é sinal de que as coisas estão se resolvendo." Paola Fernandes, de 19 anos, amiga de Geisy, porém, achou a revogação "uma palhaçada".
A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-SP, Helena Maria Diniz, acredita que o recuo da Uniban representa um "mea culpa tardio" pela atitude equivocada. "Ficará ainda mais claro para quem julgar o caso que a universidade não tinha razão alguma. Há boas chances de uma ação por danos morais ter um resultado favorável."
Durante todo o dia de ontem as críticas à expulsão de Geysi se espalharam. "Lamentamos que a declaração da universidade dê respaldo à atitude agressiva da comunidade", disse a ministra das Mulheres, Nilcéia Freire. COLABORARAM LISANDRA PARAGUASSÚ E ALEXANDRE GONÇALVES
ENTENDA O CASO
Em 22 de outubro, Geisy Arruda, de 20 anos, é agredida por alunos, na Uniban, por usar um vestido curto e sai escoltada pela PM
No dia 30, vídeos vão para o YouTube e o episódio repercute
A Uniban abre sindicância e anuncia, no dia 7 de novembro, a expulsão da aluna
Ontem, a Uniban revogou a decisão do afastamento
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