Relatório da AIEA aponta indícios de que programa nuclear do Irã é militar
Anúncio oficial, programado para quarta-feira, 9, deve intensificar a pressão para a adoção de novas sanções no Conselho de Segurança da ONU
NOVA YORK - O Irã quer desenvolver armas nucleares, segundo detalhes divulgados na terça-feira, 8, do relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear do país. O anúncio oficial, programado para quarta-feira, 9, deve intensificar a pressão para a adoção de novas sanções no Conselho de Segurança da ONU e eleva o risco de uma ação preventiva israelense contra instalações atômicas iranianas.
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"Embora algumas atividades identificadas no relatório possam ter aplicações civis e militares, outras são específicas para armas nucleares", diz o texto, que vazou para as principais agências de notícia um dia antes da publicação oficial em Viena.
Segundo a AIEA, são quatro as provas de que "o Irã realizou atividades relevantes para o desenvolvimento de um artefato nuclear". Primeiro, ocorreram "esforços, em alguns casos bem-sucedidos, para a aquisição de equipamentos e materiais por indivíduos ou entidades relacionadas a ações militares".
Em segundo lugar, o Irã buscou "vias obscuras para desenvolver material nuclear". O terceiro ponto, diz a AIEA, foi a "compra de informações e documentos para o desenvolvimento de armas nucleares de uma rede clandestina". Por último, Teerã "desenvolveu um design doméstico de uma arma nuclear, incluindo o teste de componentes".
A AIEA acrescenta que as "informações indicam que antes do fim de 2003 essas atividades integravam um programa estruturado. Também há indícios de que algumas das atividades relevantes para o desenvolvimento de uma arma nuclear continuaram depois daquele ano e algumas delas persistem até hoje".
A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, disse que "os EUA haviam acabado de receber o relatório e ainda não estavam preparados para discutir os próximos passos".
"O relatório é desequilibrado, amador e politicamente motivado", disse Ali Asghar Soltanieh, que representa o Irã junto à AIEA em Viena. De acordo com ele, "não há nenhuma novidade no relatório". Além disso, "apesar da disposição do Irã em negociar, a AIEA decidiu publicar o texto, uma ação que apenas manchará a reputação da entidade".
No curto prazo, segundo diplomatas, os esforços dos EUA e de seus aliados europeus se concentrarão em uma ação mais dura do Conselho de Segurança. A iniciativa, porém, esbarra na oposição de Rússia e China a novas sanções. "Moscou não quer que joguemos gasolina num carro pegando fogo. Eles acham que dá para curar um paciente apenas tirando o termômetro", afirmou ao Estado um diplomata envolvido nas negociações.
Apesar da pressão do Ocidente, Juan Cole, professor da Universidade de Michigan, considera difícil convencer russos e chineses. "A China aumentou em 50% suas importações de petróleo do Irã no primeiro semestre do ano", disse Cole.
A hipótese de uma ação militar israelense também não está descartada. "Apesar de ser mínimo o risco de um ataque israelense, essa possibilidade tende a crescer caso Israel considere fraca a resposta da comunidade internacional", afirmou Crispin Hawes, da agência de risco político Eurasia. Hoje, após a divulgação oficial do relatório, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, pedirá novas sanções ao Irã.
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