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Relax na Muralha

Judô - Com o bronze garantido, judocas passeiam nos últimos dias em Pequim

15 de agosto de 2008 | 0h 00
Robson Morelli, PEQUIM - O Estadao de S.Paulo

Os judocas Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro deixaram ontem pela primeira vez o circuito Vila Olímpica-ginásio de competição, onde passaram todos os dias desde que chegaram em Pequim. Acordaram cedo e, com o bronze garantido, aproveitaram para relaxar.

Sem mais compromissos nos Jogos, os dois aproveitaramo dia para conhecer a Grande Muralha, principal cartão-postal da China, uma das sete maravilhas do mundo moderno. Estavam ansiosos. A Muralha atrai milhares de turistas todos os dias. "Não poderíamos voltar de Pequim sem conhecer essa grande obra", comentou o atleta. Foram de táxi, numa corrida de pouco mais de 40 minutos. Estrada boa, dois pedágios e uma serrinha muito parecida com a da Rodovia dos Imigrantes.

Logo na chegada, foram parados por um grupo de garotas em idade escolar. Não tinham mais que 12 anos. Viram o uniforme esportivo de Ketleyn e Guilheiro e procuraram saber quem eram os visitantes. Simpáticas, pediram para tirar fotos. Depois, testaram o inglês que andam aprendendo na sala de aula. Perguntaram tudo sobre os medalhistas. Queriam saber idade, nacionalidade, modalidade. Interrogatório simpático.

Depois dos primeiros degraus, chegaram a uma das entradas da Muralha. Guilheiro e Ketleyn foram para um acesso onde havia menos gente, depois de uma subida íngreme.

Nas primeiras passadas, descobriram que o percurso era de tirar o fôlego. "Tem de ter perna para fazer isso", comentou Ketleyn. "Isso aqui é pior do que treino de judô."

A caminhada é mesmo dura. A sensação é a de estar escalando uma grande parede. As pessoas andam alguns passos e param. Algumas sentam no chão. O suor escorre. Desavisados, os brasileiros não levaram sequer água. Caminharam até bem no alto da Grande Muralha, de onde podiam ver as pessoas que caminham por sua extensão.

Quando Guilheiro tirou a medalha de bronze do bolso e a pendurou no peito para fotografar, foi cercado por dezenas de curiosos. Ketleyn posou para fotos com a medalha de Guilheiro. Tinha deixado a dela na Vila Olímpica por precaução. Todos queriam tocá-la. Pareciam não acreditar que uma das medalhas dos Jogos estivesse ali, ao alcance.

A confusão foi grande. Uma jovem americana tomou um susto quando viu Ketleyn. "Meu Deus, você é a atleta que eu vi na TV ontem. Não acredito nisso. É você mesma!"

Não havia quem não parasse para cumprimentar a dupla. O carinho foi enorme e retribuído. Os brasileiros esbanjaram simpatia e cordialidade. Em alguns momentos, Guilheiro teve de guardar a medalha no bolso para poder caminhar.

A descontração da dupla era muito justificada. Ketleyn transformou-se na primeira mulher a conquistar uma medalha olímpica em prova individual para o Brasil. Escreveu seu nome na história do esporte nacional. Mas ainda não havia lhe caído a ficha de sua façanha. Guilheiro, com o bronze de Pequim, repetiu seu feito da Olimpíada de Atenas.



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