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15 de Abril de 2010

 

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Renda cresce em 2009, apesar da crise

Ganho real foi 2,2% superior ao de 2008, mas não é maior que o de 2006 e 2007

09 de setembro de 2010 | 0h 00
Fernando Dantas e Naiana Oscar - O Estado de S.Paulo

O corretor de seguros Maurício Kaeser, de 54 anos, viu sua carteira de clientes engordar no ano passado. Ao mesmo tempo, a mulher Rosely Mattos, de 49 anos, dobrou a jornada de trabalho como professora, conciliando a escola pública com outra particular. O salto na renda desse casal de paulistanos está impresso na casa em que eles vivem há três décadas e que só no ano passado pôde passar por uma reforma geral, que consumiu mais de R$ 30 mil. As obras começaram em agosto de 2009, à base de muito crediário, e terminaram exatamente anteontem, com a compra do último eletrodoméstico - um micro-ondas. "Assim que apareceu um dinheirinho a mais, tratamos de tirar do papel esse sonho antigo", conta Rosely.

Como ela e o marido, outros brasileiros viram a renda crescer no ano passado. Apesar da crise econômica, o rendimento médio real da população avançou. A renda real do trabalho das pessoas ocupadas, incluindo todas as atividades profissionais, atingiu R$ 1.106,00, crescendo 2,2% em relação a 2008, quando foi de R$ 1.082,00.

Segundo os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumento real da renda do trabalho ocorreu em todas as faixas de renda, mas sobretudo nas intermediárias, que se situam entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos. A explicação para esse avanço do "miolo" da distribuição pode estar no forte aumento real do salário mínimo e no funcionamento do mercado de trabalho.

Sem filhos e com uma renda mensal em torno de R$ 5 mil, Maurício e Rosely dizem só ter experimentado um momento tão bom financeiramente na década de 90, quando ele comandava com o pai um pequeno negócio. "Acho que tem a ver com estabilidade da economia e com o fato de pessoas como nós estarem consumindo mais: uma coisa influencia a outra e a gente acaba sentindo no bolso", tenta explicar o corretor. Com a expectativa de que o rendimento deve permanecer assim nos próximos meses, ele e Rosely já planejam para o ano que vem uma viagem ao Canadá. Assim que terminarem as prestações da obra, os dois devem fazer as malas.

Ganho real. O ganho real da renda do trabalho em 2009 foi maior do que o de 2008, quando ela subiu 1,7% (ante 2007). Mas os saltos em 2006 e 2007, de respectivamente 7,2% e 3,1%, foram superiores ao do ano passado. Nos dois últimos anos, portanto, a subida da renda média real desacelerou-se. De 2004 a 2009, a expansão real da renda média foi de 20%. Ainda assim, ela segue abaixo do nível que prevaleceu entre 1995 e 1998.

A renda média real do trabalho das mulheres em 2009, de R$ 786, representou 67,1% da renda dos homens, de R$ 1.171. Nos últimos anos, a renda do trabalho das mulheres, como proporção da dos homens, tem crescido: em 2004, o porcentual era de apenas 63,6%. "Essa tendência existe por conta da crescente inserção da mulher no mercado de trabalho", explicou Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE.

Em 2009, as maiores relações entre renda média das mulheres e dos homens aconteceram nas regiões Nordeste e Norte, de respectivamente 72,4% e 70,3%.

A região Norte foi a que teve o maior avanço da renda real de trabalho, de 4,4%, o que a levou para R$ 921. Já a região Centro-Oeste registrou o único recuo, de 0,6%, para R$ 1.309. Segundo os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda no Centro-Oeste aconteceu especialmente nos altos salários.

O crescimento da renda real do trabalho no Nordeste, Sudeste e Sul em 2009 foi de 2,7%, 2% e 3%, respectivamente. De 2004 a 2009, o maior crescimento da renda média do trabalho, de 28,8%, ocorreu no Nordeste, e o menor, de R$ 17,1%, no Sudeste.

Entre as unidades da Federação, o maior rendimento médio real do trabalho em 2009 foi o do Distrito Federal, com R$ 2.239, o que é 65% superior ao segundo colocado, do Rio de Janeiro, com R$ 1.359. O do Rio ficou na frente do rendimento médio do trabalho de São Paulo, de R$ 1.353. O menor rendimento do trabalho é o do Piauí, de R$ 630.

O chamado rendimento real de todas as fontes (que inclui Previdência, benefícios sociais, aluguéis e rendas financeiras) também subiu de 2008 para 2009, atingindo R$ 1.088, com alta de 2,3%. Como no caso da renda do trabalho, o aumento da renda total em 2009 foi maior do que o ocorrido entre 2007 e 2008, que se limitou a 1,7%.

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