Retirarei nossas tropas do Iraque
A solicitação do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para que se fixe um prazo para a saída das tropas americanas do Iraque é uma enorme oportunidade. Deveríamos aproveitar esse momento e começar a nova distribuição das tropas de combate, que defendo há muito tempo, e é imprescindível para o nosso sucesso futuro no Iraque e para os interesses dos EUA no que se refere à segurança.
Contrariamente ao senador John McCain, eu me opus à guerra no Iraque antes que ela começasse, e, se eleito, a encerrarei. Foi um grave erro permitir que nossas atenções fossem desviadas da luta contra a Al-Qaeda e o Taleban, invadindo um país que não representava uma ameaça iminente e nada tinha a ver com o 11 de Setembro. De lá para cá, morreram mais de 4 mil americanos e gastamos mais de US$ 1 trilhão. Nossos militares estão sobrecarregadas. E quase todas as ameaças que enfrentamos - do Afeganistão à Al-Qaeda - intensificaram-se.
Nos 18 meses desde o anúncio do presidente Bush do envio de um reforço, nossas tropas desempenharam heroicamente a missão de reduzir a violência. Novas táticas protegeram os iraquianos, e as tribos sunitas rejeitaram a Al-Qaeda - enfraquecendo sua eficiência.
Mas os fatores que me levaram a manifestar oposição ao reforço seguem válidos. A pressão sobre nossos soldados cresceu, a situação no Afeganistão agravou-se e gastamos no Iraque quase US$ 200 bilhões a mais do que previa o nosso orçamento. A boa notícia é que os líderes do Iraque querem assumir a responsabilidade de seu país e negociar a retirada. Ao mesmo tempo, o general James Dubik, encarregado de treinar as forças de segurança iraquianas, estimou que a polícia e o Exército iraquianos estarão prontos para assumir a segurança do país em 2009.
Mas somente com a retirada e redistribuição das nossas tropas poderemos pressionar os iraquianos a encontrarem uma solução política abrangente e a realizarem a transição assumindo a responsabilidade pela segurança e estabilidade do país. Em vez de aproveitar essa oportunidade e encorajar os iraquianos a melhorar sua contribuição, o governo Bush e o senador McCain recusam-se a aceitar a transição - apesar das promessas feitas por eles de respeitar a vontade do governo soberano do Iraque. Segundo eles, a fixação de um prazo para a saída das tropas americanas implica uma "rendição", mesmo que estivéssemos entregando o país a um governo soberano.
Essa não é uma estratégia para o sucesso - é uma estratégia que tem como objetivo permanecer, que vai contra a vontade do povo iraquiano, do povo americano e dos interesses da segurança dos EUA. É por isso que, no meu primeiro dia no cargo, eu daria aos militares uma nova missão: pôr fim à guerra.
Poderíamos perfeitamente retirar nossas brigadas de combate com toda a segurança em 16 meses. No fim deste prazo estaríamos no verão (setentrional) de 2010. Encerrada a operação, permaneceria no Iraque uma força menor para a realização de missões específicas - perseguir os remanescentes da Al-Qaeda no Iraque e proteger os soldados americanos. Assim, não seria absolutamente uma retirada precipitada.
Como já afirmei, consultaria os comandantes de campo e o governo iraquiano para garantir que nossos soldados fossem retirados e redistribuídos de maneira segura. Inicialmente, eles seriam retirados das áreas seguras e, depois, das áreas instáveis. Além disso, seria adotada uma ofensiva diplomática com todas as nações da região a fim de assegurar a estabilidade do Iraque, e seriam destinados US$ 2 bilhões a uma nova iniciativa internacional para ajudar os refugiados iraquianos.
Pôr fim à guerra é essencial para cumprirmos nosso objetivo estratégico mais amplo, a começar no Afeganistão e no Paquistão, onde o Taleban voltou a atuar e a Al-Qaeda dispõe de um refúgio seguro. O Iraque não é, e nunca foi, a frente principal da guerra contra o terror. Como ressaltou recentemente o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior conjunto, enquanto não reduzirmos nossa missão no Iraque, não disporemos de recursos suficientes para acabar nossa tarefa no Afeganistão.
Se eleito presidente, adotarei uma nova estratégia, e começarei enviando pelo menos mais duas brigadas de combate de apoio ao nosso esforço de guerra no Afeganistão. Para cumprirmos nossa missão naquele país, precisamos de mais tropas, mais helicópteros, aperfeiçoar a coleta de informações e melhorar a assistência fora da área militar. Eu não tornaria os nossos soldados, os nossos recursos e a nossa política externa reféns de um desejo equivocado de manter bases permanentes no Iraque.
* Barack Obama, candidato democrata à presidência dos EUA, publicou este artigo no ?New York Times?
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