Revista busca modelo de negócios no meio digital
Circulação das revistas tem crescido nos últimos anos, mas verba publicitária diminuiu
A perda de verba publicitária nas revistas, que passou de 10% dos total de investimentos dos anunciantes para 7,5% na última década, foi o assunto que permeou as discussões no encontro dos executivos do setor ontem em São Paulo. Reunidos no V Fórum Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), eles debateram o tema "O melhor dos tempos, o pior dos tempos. Você faz a diferença".
O evento levantou a bandeira de que as revistas são mais que simples edições impressas. São produtos com rótulos que pedem gestão de marca e oferecem soluções de comunicação. Hoje, em torno de títulos de revistas se promovem seminários e encontros de vários portes para debates e reflexões. Com essas características, as revistas não só têm futuro nas suas versões digitais, como têm boas perspectivas de obter receita para o negócio.
A circulação das revistas quase voltou aos patamares atingidos em janeiro de 2000 - 27.924.221 exemplares, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC). Em janeiro de 2011, a circulação chegou a 27.118.337 exemplares. E, mesmo que o mercado esteja estabilizado no nível próximo a 30 milhões, as editoras não perderam o ânimo, já que somente este ano lançaram 14 novos títulos.
Rapidez. O presidente da Aner, Roberto Muylaert, disse que o grande desafio a ser enfrentado hoje é as empresas que investem em conteúdo se manterem saudáveis ao enveredarem pela área digital, já que a tecnologia não assusta mais as companhias.
Silvio Genesini, diretor-presidente do Grupo Estado e um dos palestrantes, fez um alerta reforçando que o mais relevante no momento é achar um modelo digital para rentabilizar o negócio de mídia. Para ele, é impossível não comparar o cenário atual da mídia com o declínio vivido pela indústria fonográfica por conta das ferramentas de compartilhamento de música na internet. "É fundamental que façamos sucesso de maneira casada com a mídia digital, algo que a indústria da música não conseguiu fazer."
No geral, os presentes ao evento enfatizaram que os veículos impressos não vão desaparecer, mesmo com o avanço de plataformas portáteis, como os tablets. Para reafirmar esse ponto, o jornalista Nirlando Beirão, diretor da Editora Três, destacou a beleza das últimas capas das publicações Esquire, New York Times e The Economist que ilustravam os dez anos do trágico ataque às torres gêmeas, em Nova York. "A beleza, delicadeza e elegância desse tratamento gráfico só é possível na revista. Algo que as pessoas podem guardar."
Mais do que bem embalar uma revista, o pilar que garante a sobrevivência desse negócio, na opinião de Alexandre Cavalli, superintendente da Editora Abril, é a gestão da marca da publicação como solução de comunicação capaz de oferecer opções de consumo ao leitores.
A atração de anunciantes passa por harmonização com ofertas no meio online, o que obriga a busca de receita nesse canal para produzir revistas. A Superinteressante, por exemplo, optou por caminho inédito ao contar a apuração de matéria jornalística em forma de games no seu site. Além de aferir receita nova, dobrou seus acessos online.
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