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Rio anuncia apoio de R$ 12 mi a atletas top

Investimento de R$ 1 mi a cada um

04 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Leonardo Maia - O Estadao de S.Paulo

RIO
Alguns atletas olímpicos de ponta do Rio vão ganhar melhores condições para trazer medalhas para o Brasil em 2012, na Olimpíada de Londres. A Prefeitura carioca vai investir R$ 12 milhões nos próximos dois anos e meio na preparação de um grupo de elite de atletas que treinam ou moram no Rio. O projeto é uma parceria da Prefeitura com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que fará a gestão da aplicação dos recursos.

A ideia é aperfeiçoar o treinamento de 10 a 13 atletas, indicados pelas confederações e aprovados pelo COB. São, portanto, homens e mulheres que valem R$ 1 milhão. No momento, apenas quatro nomes foram selecionados: Ricardo Winick, o Bimba, campeão mundial de prancha a vela; o nadador Kaio Márcio; o ginasta Diego Hypólito, e a jovem corredora Bárbara Leôncio, garota-propaganda da vitoriosa campanha carioca para sediar os Jogos de 2016.

"Entramos numa área que não é a nossa, o alto rendimento. O nosso foco, claro, é a democratização do esporte, com as vilas olímpicas. Mas achamos que era hora de fazer mais", disse o prefeito Eduardo Paes, garantindo que os recursos não serão retirados de uma área para atenderem outra. Trata-se de dinheiro que a cidade já está vendo surgir com a escolha para receber a Olimpíada de 2016.

Para efeito de comparação, a Prefeitura mantém 12 vilas olímpicas em funcionamento, que atendem em média 2,5 mil crianças, ao custo mensal individual de R$ 27. Número pálido diante da dúzia de milhões.

"É uma dívida que temos com o movimento olímpico", justificou o prefeito. "Já estamos observando um aumento enorme de investimentos e de turistas. Esse valor que vamos aplicar nem vai chegar perto do que o Rio vai ganhar com a realização da Olimpíada aqui", argumentou.

Vale notar que o Time Rio, como foi batizado, não é um grupo fechado. Vai funcionar quase como uma seleção de futebol. O desempenho dos atletas será avaliado ao final de cada ano. Aqueles que não estiverem correspondendo às expectativas poderão dar lugar a outros que estejam se destacando e mereçam a chance.

"A cada dezembro vamos fazer uma análise dos resultados. Quem não render pode deixar o projeto", explica Marcus Vinícius Freire, superintende de esportes do COB.

O dinheiro vai ser destinado para a ajuda de custo dos atletas ? varia de R$ 3 mil a R$ 8 mil por mês, dependendo do currículo de cada um ? e para cobrir viagens para competições, novos equipamentos, custos de exames, equipe técnica, etc.

Quem tem patrocínio privado vai continuar com ele, mas o Time Rio vai ser fundamental para aqueles que não têm suporte. Caso de Bimba, que perdeu seus patrocinadores no início do ano passado. "Finalmente vou poder me dedicar integralmente ao esporte. Vou competir em vários torneios que não poderia normalmente. Terei a chance de igualar minha preparação com a dos principais rivais", comemorou Bimba.

O COB agora quer comover outras prefeituras e Estados a seguir os mesmos passos. A ideia é compor outros times regionais e formar o Time Brasil, com cerca de 300 atletas com chance de pódio em 2012. Tudo dando certo, o objetivo é chegar a 600 na preparação para os Jogos do Rio. "É um sonho realizado poder treinar a Bárbara em condição de alto nível. Mas espero que isso seja expandido", comentou o técnico da atleta, Paulo Servo. "Não conto com investimento nenhum dos governos ou do COB. Todos começam de algum lugar", prosseguiu. "Não vai existir ninguém de alto nível para apoiar se não investirem na formação. Poderíamos ter hoje umas 5 ou 6 Bárbaras."