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Risco para Fifa e COI: crise de patrocínio

Ambição da entidade pode afastar parceiros nas próximas Copas e olimpíadas. Para a CBF, situação é confortável

08 de setembro de 2010 | 0h 00
JAMIL CHADE - Correspondente - O Estado de S.Paulo


Jerry Lampen/Reuters - 11/7/2010
Tudo por dinheiro. Os patrocinadores da Fifa têm exposição destacada em eventos da entidade, como a Copa do Mundo

GENEBRA - Um dos maiores patrocinadores de eventos esportivos do mundo e da própria CBF, a gigante AB InBev, alerta: se a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI) continuarem a elevar suas taxas para a participação de patrocinadores na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos simplesmente ficarão sem recursos.

O aviso fez reviver uma preocupação existente no mercado, sobre a capacidade do Brasil de conseguir atrair parceiros suficientes para bancar as obras da Copa das Confederações em 2013, da Copa de 2014, da Copa América de 2015 e da Olimpíada de 2016.

Em entrevista publicada na semana passada em uma revista especializada em marketing esportivo, o diretor mundial da divisão de eventos e esporte na AB InBev, Eelco van der Noll, adverte que o ritmo de aumento dos custos cobrados pela Fifa e pelo COI é insustentável. A empresa é a maior cervejaria do mundo, controla a Ambev no Brasil e é uma das gigantes em patrocínio de eventos esportivos.

"Nesse momento, há um risco significativo de que esses eventos se coloquem fora do mercado"", afirmou o executivo à revista SportBusiness International. "Os atuais níveis de preços dos principais eventos são simplesmente astronômicos"", alertou.

Nos bastidores, outras multinacionais já haviam se queixado da inflação promovida pela Fifa e pelo COI. "As taxas para a Copa do Mundo, por exemplo, aumentaram em 100% entre 2006 e 2010. Essas altas são muito difíceis de se justificarem"", afirmou Der Noll.

A percepção de que o preço estaria sendo exagerado foi reforçada por levantamento com mil torcedores ingleses depois da Copa: Coca-Cola, Adidas e McDonalds foram marcas lembradas, mas as restantes passaram desapercebidas.

Para 2014, a Fifa espera fechar acordos com patrocinadores no valor de pelo menos US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 2,75 bilhões), 30% superior ao obtido na Copa de 2010. Isso contribuiria para arrecadação recorde com o Mundial, chegando a US$ 3,8 bilhões.

No caso da Olimpíada de 2016, no Rio, membros do COI já haviam alertado que um dos riscos de dar o evento ao Brasil era a eventual fatiga dos patrocinadores em colocar sua marca mais uma vez em exposição no mesmo mercado. Para o período entre 2012 e 2016, o COI superou pela primeira vez US$ 1 bilhão em contratos com seus patrocinadores principais. Mas em seu relatório preliminar sobre as candidatas para 2016, o COI chegou a mencionar que atrair parceiros seria "um desafio importante"".

CBF tranquila. Se Fifa e COI precisam ficar alertas, a CBF não vem tendo problemas para atrair patrocinadores. A própria AmBev fechou em maio um contrato de patrocínio da seleção brasileira, válido por 18 anos. Por ano, a empresa prevê de US$ 10 milhões (cerca de R$ 17,5 milhões) à entidade. Mas o valor pode ser duplicado, dependendo do desempenho da participação dos refrigerantes da empresa no mercado brasileiro.

A CBF fatura alto com a seleção. Tem 10 patrocinadores, que lhe rendem pelo menos R$ 210 milhões por ano.

MINA DE OURO
2,75 bilhões
de reais é quanto a Fifa pretende faturar apenas com patrocínio na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A arrecadação, somando-se os direitos de transmissão, pode atingir R$ 3,8 bilhões

2 bilhões de reais foi o valor alcançado pela entidade com os parceiros que investiram no Mundial desse ano, disputado na África do Sul

950 milhões de reais foi o total obtido com acordos com patrocinadores feitos pela Fifa por ocasião da Copa do Mundo de 2006, que
teve como sede a Alemanha




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