Rossi depõe, preserva Temer e PMDB, mas compromete Jucá
Ministro da Agricultura diz que único erro foi de diretor Jucá Neto, já demitido, e que este só continuava na pasta a pedido do irmão
Em depoimento de mais de quatro horas, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, procurou ontem deixar a crise na pasta restrita a Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Rossi afirmou na Comissão de Agricultura da Câmara que a única irregularidade que ocorreu na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) partiu justamente por Oscar Jucá Neto, demitido na semana passada.
Em sua exposição, o ministro resguardou o PMDB e o vice-presidente da República, Michel Temer, e deixou a crise no colo de Romero Jucá. Disse ter recebido dele um pedido para a manutenção do irmão, Oscar Jucá Neto, mesmo sabendo do pagamento irregular que este fez, quando diretor financeiro da Conab. O ministro foi aplaudido pelos governistas e contou com a docilidade da oposição.
Na versão do ministro, a única irregularidade na Conab foi justamente a praticada por Oscar Jucá. Segundo Rossi, o ex-diretor entrou no sistema da empresa sem autorização e transferiu dinheiro de outra área para um pagamento de R$ 8 milhões que a estatal ainda contestava.
As denúncias do ex-diretor de que havia um esquema de corrupção para beneficiar o PMDB e o PTB foram tratadas como ressentimento: "Ele tentou transformar uma questão administrativa em um caso político".
Rossi sustentou que são legais tanto o pagamento à empresa Caramuru quanto a venda de um imóvel em Brasília. "Para nós é motivo de orgulho ser atacado porque agimos dentro da lei", afirmou.
Indicação. Quanto ao pedido de Romero Jucá em favor do irmão, foi aos detalhes: "Ele (Romero Jucá) pediu que, se tivesse condições, se o Oscar não fosse adequado à diretoria, que pudesse retorná-lo a um emprego de assessoria". Oscar tinha atuado na assessoria da Conab antes de chegar a diretor, por indicação do irmão.
Jucá confirmou ao Estado o pedido feito em favor do irmão - mas aceitou sua demissão quando o ministro classificou a situação de Oscar como insustentável. Apesar de ter sido chamado de "bandido", o ministro diz não ter se decidido a processar Oscar. Entende que a demissão pode ter sido uma punição suficiente.
Ao final, a avaliação dos governistas foi de que a estratégia de levar autoridades ao Congresso para rebater denúncias mostrou-se eficiente. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), estava sorridente com a defesa do ministro: "O Rossi foi o nosso Neymar hoje", brincou.
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