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Rúgbi: sonho de ouro em Paraisópolis

Modalidade, que fará parte das disputas da Olimpíada do Rio, tem também função social em favela paulista

06 de setembro de 2010 | 0h 00
Paulo Favero - O Estado de S.Paulo

O campo Palmeirinha, no coração da favela de Paraisópolis, não é apenas dos fãs de futebol. Três vezes por semana, meninos e meninas de 8 a 17 anos participam de um projeto de inclusão social que tem no rúgbi seu fundamento. Os amigos Fabricio Kobashi de Faria e Maurício Alexandre Pérez Dragui, idealizadores do projeto, desde 2004 tentam transformar a vida dos jovens e fazer um pouco para mudar a realidade local. "Falta tudo para essas pessoas. Qualquer coisa oferecida que seja atrativa tem público", conta Fabricio.

Os dois praticam o esporte que ainda tenta se popularizar no País. Será uma das modalidades dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, mas o foco do Instituto Rugby para Todos é educacional.

"Temos 150 crianças atualmente, das quais metade são meninas. Para fazer a matrícula tem de chegar aqui com os pais ou com um responsável. E a cada semestre fazemos reunião geral com os alunos e a família. Nossa proposta é educacional, queremos formar o caráter dessas crianças e passar bons valores", explica Fabricio.

O projeto colhe bons frutos, mas nem sempre foi assim. No começo houve muita dificuldade. "Foi engraçado que chegamos aqui em Paraisópolis em um evento de Dia das Mães. Na beira do campo tinha um boi amarrado, que era o prêmio para o torneio de futebol. Conversamos e liberaram o campo para a gente fazer os treinos." A dupla passou a divulgar o projeto nas oito escolas do bairro e na primeira aula apareceram 70 pessoas. "A gente entrava na sala de aula com uma bola de rúgbi, fazia exposição de camisas."

O marketing deu certo. O esporte caiu no gosto da criançada de uma forma inesperada. "É um esporte instintivo, que usa velocidade e força. Exige uma certa agressividade, mas controlada. Aqui eles não têm medo do contato, só temos de ensiná-los a dosar. Costumo dizer que o rúgbi é um esporte de animais praticado por cavalheiros. É muito disciplinado e jogado em equipe."

Estrutura. Desde que o projeto começou o campo melhorou bastante, mas continua sendo de terra. No tempo seco, sobe uma poeira danada. Todas as crianças têm acesso a psicólogo, preparador físico e pedagogo. Além do lanche, um sanduíche de presunto e queijo e suco. "Ficamos um ano e meio de forma bem precária, sem água, lanche e com poucos voluntários. Agora recebemos R$ 400 mil por ano do Fumcad, mas infelizmente não conseguimos remunerar os profissionais do jeito que a gente gostaria."

Apesar da melhoria na estrutura, o projeto não tem como manter os jovens que começam a despontar. Assim, a partir dos 15 anos, caso alguém queira se dedicar mais à modalidade, é prontamente encaminhado a um clube parceiro. "Tentamos garantir o mínimo para que o jovem possa treinar. Às vezes, nem dinheiro para o transporte ele tem", diz Fabrício.


ESPORTE E EDUCAÇÃO

FABRICIO K. DE FARIA
Idealizador do projeto

"Falta tudo para estas pessoas. Qualquer coisa oferecida que seja atrativa vai ter público. A proposta é educacional, queremos formar o caráter dessas crianças."


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