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Sadia inaugura hoje sua primeira fábrica no exterior

Unidade na Rússia teve investimento de R$ 153 milhões e vai produzir presuntos, embutidos e empanados

01 de dezembro de 2007 | 0h 00
Natalia Gómez - O Estadao de S.Paulo

A Sadia inaugura hoje em Kaliningrado, na Rússia, sua primeira fábrica no exterior. A unidade recebeu investimentos de R$ 153 milhões, sendo que R$ 92 milhões vieram da Sadia e o restante do grupo russo Miratorg, que possui participação de 40% no empreendimento. O parceiro local é distribuidor dos produtos da empresa na região.

A fábrica, que foi batizada de Concórdia, produzirá 53 mil toneladas de presuntos, embutidos e empanados por ano. Os empanados serão fornecidos para o McDonald?s russo, enquanto os demais produtos serão vendidos no mercado local e em outros países que pertenciam à antiga União Soviética. Cerca de 400 funcionários trabalharão na unidade.

O International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, financia 70% do projeto, segundo informou o presidente do conselho de administração da empresa, Walter Fontana, em abril.

A intenção de instalar uma fábrica na Rússia foi anunciada pela primeira vez no ano passado, em meio à crise provocada pela gripe aviária e depois do fracasso da tentativa de comprar a Perdigão. Hoje, a internacionalização da Sadia é considerada uma resposta ao movimento de diversificação de sua maior concorrente, que está expandindo as atividades para o setor de lácteos.

O projeto da Perdigão inclui uma agressiva estratégia de aquisições, que culminou na compra da Eleva (antiga Avipal) em outubro. O negócio fez da Perdigão uma companhia maior do que a Sadia. No primeiro semestre, a Sadia faturou R$ 4,5 bilhões, enquanto a Perdigão e a Eleva faturaram juntas R$ 4,7 bilhões, sendo R$ 3,57 bilhões da primeira e R$ 1,14 bilhão da segunda.

Apesar de ter sido questionada pelos analistas de mercado sobre sua estratégia, a Sadia deixou claro que a diversificação não está nos seus planos. O presidente da companhia, Gilberto Tomazoni, reafirmou que o foco é crescer dentro do seu negócio principal, que inclui aves, suínos e bovinos. "Os lácteos ficarão de fora", afirmou na teleconferência do terceiro trimestre.

O plano de internacionalização incluirá outras duas novas unidades no exterior além da Rússia, com investimentos de R$ 100 milhões em 2008 e R$ 100 milhões em 2009, com foco em industrialização de carne. Uma delas ficará nos Emirados Árabes. A presença em outros países deixará os negócios da empresa mais estáveis porque vai eliminar o risco de fechamento de mercados por questões sanitárias. Outra vantagem de produzir localmente é a possibilidade de vender produtos refrigerados fora do Brasil, o que não pode ser feito por meio de exportações.

A expectativa da Sadia é duplicar suas vendas tanto no mercado brasileiro quanto no mercado externo, segundo Tomazoni. Hoje, os negócios da empresa estão igualmente divididos entre os dois negócios. Para isso, a empresa vai investir R$ 2 bilhões no período que vai de julho deste ano ao final de 2008, sem contar os investimentos no exterior.

O ganho de musculatura será fundamental para a Sadia garantir seu espaço em um cenário muito mais competitivo no mercado interno. Além da união da Perdigão com a Eleva, a empresa precisa se proteger da gigante americana Tyson Foods, que vai entrar no Brasil por meio da compra da Pena Branca. Com faturamento de US$ 3 bilhões previsto para 2007, a Tyson tem planos agressivos para países emergentes, como Brasil, Argentina e México, além da China.

A entrada dos frigoríficos de carne bovina no setor de aves, sinalizada pelo Bertin nesta semana, é mais um indício de que a concorrência será muito mais dura nos próximos anos para a Sadia no Brasil, o que reforça a importância das novas operações no exterior.


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