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PAULO CALÇADE

Saíram todos vivos

06 de fevereiro de 2012 | 3h 02
PAULO CALÇADE - O Estado de S.Paulo

Cada jogo tem uma história. Dentre os inúmeros fatores que afetam o rendimento, o físico pode ser o ponto de partida para afinar as certezas ou simplesmente o ponto final. Ontem, em Presidente Prudente, foi o ponto final. O Palmeiras venceu porque simplesmente ainda tinha de onde buscar energia para se sustentar. Em quatro minutos virou o placar e não se pode dizer que tenha sido injusto.

O jogo começou com 34ºC. A apostila de como estragar um campeonato foi seguida com rigor de detalhes no primeiro clássico do Estadual. Quinze dias depois de voltar das férias, os titulares do Santos perceberam que o estádio de Prudente não recebe o apelido de Farazão de graça. O gramado parecia ainda maior, disposto a torrar qualquer possibilidade de bom futebol.

Pela natureza dos times e com alguns dias a mais de treinamento, Felipão bolou um meio de campo com Márcio Araújo, Marcos Assunção e João Vitor, este a novidade para reforçar a marcação sobre o setor de Neymar, ainda capaz de decidir uma partida em qualquer condição, até de cabeça.

Com a marcação "resolvida'', Scolari imaginava libertar Valdívia de qualquer responsabilidade defensiva. O Palmeiras precisava de talento diante do campeão da Libertadores, de um jogador livre, criativo. Mas a expectativa durou pouco, o chileno jogou apenas 41 minutos.

Com tanto calor e o adversário mais preocupado em ter fôlego para chegar ao final vivo, Felipão apostava numa partida longa, sabia que ela poderia ser decidida pela condição física. E que quanto mais longa fosse, melhor seria para seu grupo. Em situação normal, com os times escalados ontem à tarde, o Santos deve ser sempre considerado favorito.

Mas não naquelas circunstâncias. Destruído, Borges nem voltou para a etapa final. O gol de Neymar, aos 26 minutos do segundo tempo, foi resultado de uma gritante falha de marcação, quando os santistas já demonstravam acentuado desgaste físico.

O resultado era ótimo até Ibson ser expulso de campo aos 42. Fernandão empatou na bola parada, aos 43, e na pressão o Palmeiras chegou ao segundo aos 47, em bola cruzada por Juninho e gol contra de Maranhão.

E lá estava o Santos, desmontado pela falta de preparo físico, como imaginava Felipão, que falou do calor antes do pontapé inicial: "Os jogadores vão perder o couro todo''.

E perderam mesmo. Palmeiras e Santos mereciam mais respeito, nada ali combinava com a tradição do clássico. Intriga, obviamente, o silêncio dos dirigentes e falta de ação dos jogadores. É muito difícil analisar uma partida de futebol quando você se preocupa com todos os fatores que influenciam no rendimento, do ponto de vista individual e coletivo. E sabe que as equipes ainda estão bem longe do que poderíamos definir como o mínimo necessário para a realização de um jogo honesto. As questões técnicas e táticas ficam em segundo plano, infelizmente. Pelo menos saíram todos vivos.



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