São Paulo registra mais 2 mortes
Segundo a Climatempo, em 4 dias, a capital teve o equivalente a 56% da precipitação prevista para fevereiro
ESTADO DE ALERTA - Alagamento na Av. Aricanduva, esquina com a Rua Ganges; em toda a cidade foram registradas 50 quedas de árvores
Com mais duas mortes registradas entre a noite de anteontem e a manhã de ontem na capital paulista, o Estado de São Paulo já tem 73 vítimas da chuva desde 1º de dezembro. Ontem, no 44º dia consecutivo de temporais, os bairros do Ipiranga, na zona sul, Aricanduva e Itaquera, na zona leste, sofreram com alagamentos.
No fim da manhã de ontem, foi encontrado o corpo de Maria Moreira Paiva, de 74 anos, em um matagal perto do Córrego Jacu-Pêssego, em Itaquera. Ela estava desaparecida desde a noite de anteontem, quando a casa onde estava hospedada, na Avenida Caititu, foi arrastada pelas águas do Córrego Jacupeval. Maria, que morava em Irecê, na Bahia, estava na casa da filha, Elisabete Moreira de Souza, de 44 anos, a quem visitava durante as férias.
No mesmo bairro, um menino de 11 anos está desaparecido. João Vitor também foi levado pelo Córrego Jacupeval, na Avenida Caititu, na tarde de anteontem. Daniel Bispo da Costa, de 15 anos, estava com o amigo e chegou a ser puxado pela enxurrada, mas foi salvo pelo tio.
A outra vítima da chuva foi o boliviano Papin Huacar Villca, de 24 anos, que morreu após ser atingido por um raio, anteontem, na Praça Ilo Otani, próximo da Ponte Vila Guilherme, no bairro do Pari. Um funcionário de uma oficina próxima da praça, que não quis se identificar, disse que se assustou com o barulho do trovão. "Vi um clarão e estava chovendo muito forte." O corpo do rapaz aguarda por parentes no Instituto Médico-Legal (IML). Na tarde de ontem, duas pessoas foram ao local: uma afirmou ser a mulher dele, mas não tinha documentos para comprovar e deve retornar hoje.
Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a quantidade de raios, só em janeiro, foi de 13.239. Em 2009, foram 3.953.
Anteontem, o comerciante angolano Antonio Pereira Lousa, de 74 anos, havia morrido quando uma árvore atingiu o Corolla que estava dirigindo, na alça de acesso da Ponte da Vila Maria à Marginal do Tietê.
Em quatro dias, São Paulo registrou 132 mm de chuva, o equivalente a 56% da precipitação prevista para o mês inteiro (234 mm), segundo a Climatempo.
Ontem, os Córregos Ipiranga e Aricanduva transbordaram pela terceira vez no ano, colocando as regiões em estado de alerta. A água invadiu as ruas próximas e deixou pessoas ilhadas. Em toda a cidade foram registradas 50 quedas de árvores. O Aeroporto de Congonhas precisou ser fechado das 16 horas às 17h23. Das 180 partidas programadas até as 18 horas, 17 (9,4%) registraram atraso e 12 (6,7%) foram canceladas.
Ainda na zona sul, o bairro do Ipiranga registrou 6 dos 37 pontos de alagamento contabilizados às 19h30 pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). O bairro foi o terceiro mais atingido pela chuva - os dois primeiros foram Butantã e Pinheiros, na zona oeste, que registraram, cada um, oito pontos de alagamento. Entre as vias atingidas estão as Avenidas Francisco Morato, no Butantã, e Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros.
A chuva também castigou as cidades do ABC paulista. Em Diadema, cinco casas foram interditadas preventivamente ontem por conta do temporal no bairro Vila Mulford. Desde o início de dezembro, o município registrou 333 ocorrências. No mesmo período, 128 imóveis foram interditados.
NO ESCURO
O temporal deixou 17 bairros sem luz. Na zona sul, os moradores do Itaim-Bibi, Vila Clementino, Vila Mariana, Alto da Boa Vista, Morumbi e Moema ficaram sem luz. Na zona oeste, Perdizes, Pompeia, Lapa e Sumaré ficaram às escuras. Na zona leste faltou luz em Itaquera, São Mateus e Ermelino Matarazzo e, na zona norte, Santana e Tucuruvi ficaram sem receber energia elétrica. Segundo a Eletropaulo, cerca de 1.100 funcionários foram destacados para consertar a rede.
Quando a chuva acabou, 500 moradores da Vila Jacuí, na zona leste, realizaram um ato pedindo providências da Prefeitura no combate às enchentes. Eles interromperam, com barreiras improvisadas, às 18 horas, a Avenida Jacu-Pêssego, no número 5.000, e, às 22 horas, ainda estavam no local. Segundo a Polícia Militar, a via estava liberada para o trânsito.
A Secretaria Municipal de Educação anunciou ontem o adiamento da volta às aulas no Centro Educacional Unificado (CEU) Três Pontes, no Jardim Romano, zona leste da capital. O início do ano letivo, que começaria na segunda-feira junto com as demais escolas da Prefeitura, foi adiado para o dia 18.
Desde 8 de dezembro, o CEU está ilhado pelos alagamentos nas ruas do entorno, o que dificultou o acesso dos servidores. Sem funcionários, o complexo educacional - que conta com creche, pré-escola e escola - foi alvo de depredações e furtos, o que obrigou a Prefeitura a iniciar reforma emergencial no último dia 19, ainda em andamento. Estão matriculados no CEU 1.784 alunos e o sistema de reposição das aulas ainda será definido. A pasta diz que o adiamento foi necessário para instalar uma passarela de acesso. FELIPE GRANDIN, MARCELA SPINOSA, DAMARIS GIULIANA, MÔNICA PESTANA, CRISTIANE BOMFIM e PRISCILA TRINDADE
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