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Sarkozy defende filho Jean, de 23 anos, e rejeita denúncias

Presidente francês nega acusação de nepotismo e faz críticas a jornalistas

14 de outubro de 2009 | 0h 00
Andrei Netto, PARIS - O Estadao de S.Paulo

A culpa é da imprensa. Essa é a síntese da resposta do presidente da França, Nicolas Sarkozy, aos críticos de seu filho, Jean, e às acusações de nepotismo que vem sofrendo. O presidente está sob bombardeio desde que Jean - de 23 anos, estudante do segundo ano da faculdade de direito - anunciou sua intenção de presidir o Escritório Público de Organização de La Défense (Epad), órgão que controla La Défense, o maior distrito de negócios da Europa. Para Sarkozy, a mídia "busca polêmicas" em seu governo.

A controvérsia surgiu no final de semana, quando veio a público a informação de que o filho mais velho do presidente, Jean, tinha sido indicado candidato à direção da Epad, órgão que gerencia bilhões de euros em investimentos imobiliários.

A indicação veio depois de sua eleição para o Conselho Municipal - equivalente a uma câmara de vereadores - em Hauts-de-Seine, município da periferia rica de Paris, onde o pai construiu sua carreira.

A discussão cresceu quando o jornal Le Figaro revelou que o Palácio do Eliseu bloqueou um projeto para alterar a idade máxima dos dirigentes da Epad. Até então, tramitava no gabinete do primeiro-ministro, François Fillon, um projeto que aumentava para 65 anos a idade de aposentadoria dos dirigentes, uma medida que beneficiaria o atual presidente do órgão, Patrick Devedjian. Mas o projeto acabou engavetado, o que deve forçar a saída Devedjian e deixar livre o caminho para Jean na votação de dezembro.

Líderes da oposição acusam o presidente de construir uma monarquia na região de Hauts-de-Seine, onde trabalham 150 mil pessoas.

O Partido Socialista vê nepotismo do chefe de Estado. "Estão tomando os poderes, um após o outro: na Justiça, na mídia e agora nas administrações regionais", denunciou Martine Aubry, secretária-geral do PS.

A nomeação também rendeu uma enxurrada de críticas no país e no exterior. Em três dias, um abaixo-assinado que pede que Jean "termine seus estudos de direito e faça alguns estágios em empresas" obteve mais de 50 mil adesões.

Até no partido União por um Movimento Popular (UMP), de Sarkozy, deputados e senadores mostraram-se constrangidos. "Ouvimos em nossos distritos pais de filhos que não encontram estágios", afirmou ontem, na tribuna da Assembleia Nacional, o deputado René Couanau, ironizando: "Há um problema de recursos humanos em Hauts-de-Seine."

DEFESA DO GOVERNO

Contra as críticas, o governo se defendeu com seus maiores nomes. Fillon lembrou que Jean não está sendo nomeado ao cargo, mas indicado a uma candidatura. "É uma eleição, uma competição, e não faz sentido criar polêmica."

À tarde, o presidente destilou seu veneno contra os jornalistas. "Ontem, vocês estavam apaixonados por qual polêmica? A de Frédéric Mitterrand", disse, referindo-se ao ministro da Cultura acusado na semana passada de ter feito turismo sexual. "Vocês seguem as polêmicas. Eu devo seguir as reformas e resolver os problemas."

À noite, foi a vez de Jean Sarkozy defender-se em público no canal de TV France 3. "Os ataque e as críticas fazem parte do jogo político", afirmou o jovem, argumentando: "Não se trata de uma nomeação, mas de uma eleição. Nunca no meu percurso político eu fui nomeado. Tiro minha legitimidade das eleições."