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Schumacher admite: é cedo para lutar pelas vitórias

Mercedes é um carro fraco, o que tira alemão do páreo nas corridas iniciais

01 de março de 2010 | 0h 00
Livio Oricchio - O Estadao de S.Paulo

Que a Fórmula 1, hoje, é diferente daquela quando conquistou, com a Ferrari, cinco títulos seguidos, de 2000 a 2004, Michael Schumacher já sabia. E levou em conta essas mudanças para decidir sua volta. Mas por mais que considerasse todas as variáveis que cercam seu retorno, com certeza não imaginaria encontrar tantas dificuldades como as da pré-temporada.

Ontem, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, o piloto alemão, agora na Mercedes, depois de estabelecer o sétimo tempo no treinamento, afirmou: "No momento, não estamos fortes como gostaria, provavelmente sem possibilidades de lutar pelas vitórias nas primeiras corridas.""

Já está bem claro para Schumacher: conquistar o oitavo título mundial exigirá esforços muito superiores aos exigidos nos tempos de Ferrari.

"Nossa principal meta, agora, é não começar o campeonato muito distante dos mais rápidos"", falou, ontem. Explicou que com trabalho incessante a Mercedes poderá recuperar a diferença que a separa de Ferrari, Red Bull e McLaren, as mais eficientes nos testes.

De 2000 a 2006, período de maior sucesso da associação Schumacher-Ferrari, apenas a Williams e Renault, em momentos distintos, conseguiram desafiá-los. E, mesmo assim, bem pouco preparadas em relação à estrutura disponibilizada a Schumacher, sem que essas facilidades retirem o mérito dos Mundiais que conquistou. Este ano, a equipe do alemão tem pelo menos três concorrentes, Ferrari, Red Bull e McLaren, duríssimos para vencer e superbem estruturados.

E o que não dizer do perfil dos pilotos que ele já está enfrentando, bem distinto dos daquele período, mais pobre de verdadeiros talentos. Há hoje uma geração de jovens extremamente capazes, loucos para inserir em seu currículo que superaram Schumacher, a referência para a classe na Fórmula 1.

RIVAIS

Os melhores exemplos dessa geração são Lewis Hamilton, McLaren; Sebastian Vettel, Red Bull; Felipe Massa, Ferrari; Robert Kubica, Renault; e Nico Rosberg, Mercedes. E ainda há pilotos excelentes, agora mais experientes, em equipes que o próprio Schumacher reconhece estarem melhor que a Mercedes, caso os campeões Fernando Alonso, da Ferrari, e Jenson Button, da McLaren.

Se tudo isso não bastasse, Schumacher chega de volta à Fórmula 1 numa época em que, por conta do regulamento, os carros têm grande tendência a derrapar com as rodas dianteiras, ou seja, o piloto vira o volante e o carro demora para iniciar a curva, a frente não obedece ao comando do volante.

O alemão sempre comentou a esse respeito: "Não me adapto a monopostos que saiam de frente"". Seus carros sempre apresentam a perigosa tendência de escapar com a traseira, indesejada pela grande maioria dos pilotos. Diante desse quadro, o Schumacher que deverá iniciar a temporada, dia 14 de março em Bahrein, não deverá ser o mesmo que entrou para a história da F-1 pela genialidade e números impressionantes.

CAMPEÃO EM APUROS

Michael Schumacher
Piloto da Mercedes

"No momento, não estamos fortes como gostaria, provavelmente sem possibilidades de lutar pelas vitórias nas primeiras corridas''

''Nossa principal meta, agora, é não começar o campeonato muito distante dos mais rápidos''
"Não me adapto a monopostos que saiam de frente''