ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias >

''Se a medalha de ouro não vier, paciência''

Falta de tempo seria responsável por eventual tropeço, diz técnico

06 de agosto de 2008 | 0h 00
Almir Leite, enviado especial, Shenyang - O Estadao de S.Paulo

Carlos Caetano Bledorn Verri, ou simplesmente Dunga, começa amanhã um novo desafio: conquistar a inédita medalha de ouro para o futebol brasileiro, na Olimpíada de Pequim. O gaúcho de Ijuí, de 44 anos, "está técnico" da seleção, como ele mesmo define, e tem o trabalho contestado por boa parte do público e da imprensa. A pressão é grande e um insucesso pode ser fatal. Mas ele tenta se preparar para um tropeço. "Se o ouro não vier, paciência." Em contrapartida, Dunga sabe que o sucesso nos Jogos, além de calar os críticos, pode garanti-lo no cargo. E certamente trará um pouco de paz. O treinador, porém, prefere não pensar no que virá após o dia 23 - se o Brasil chegar à final, decidirá a medalha de ouro na véspera do encerramento da Olimpíada.

Acompanhe Brasil x Bélgica, às 6h

Alçado ao cargo de técnico da seleção mesmo sem ter experiência alguma na função, Dunga tem compromisso de quatro anos com a CBF. Já cumpriu dois. Nesse período, ganhou um título, o da Copa América de 2006, mas criou polêmica com jogadores e a mídia. Chegou brigando com todo mundo. Bateu e apanhou bastante.

Nos últimos tempos, tem evitado discussões. "Aprendi que não adianta", disse ao Estado. Nem por isso deixa sem resposta críticas de ex-jogadores, como Sócrates, para quem Dunga já começou errando na seleção ao brigar com Kaká e Ronaldinho Gaúcho. "Não adianta quem esteve na seleção e não fez o que devia (ganhar títulos) falar de quem está aqui."

Você falou que, na Olimpíada, só interessa o ouro. E se ele não vier?

Se não vier, paciência. A gente espera que venha, está trabalhando para isso. Sabe que é complicado, por tudo que está se passando. A gente é acostumado a ter um tempo maior de trabalho. Aqui é tudo na correria, tem horário estipulado para tudo. O futebol é o único esporte em que se tem 15 dias para montar o time e tem de ser ouro. Os outros (esportes) têm quatro anos para montar e...

Mas você está consciente de que, se não vier o ouro, vão querer a cabeça do Dunga...

Não é verdade que o treinador que veio à Olimpíada e não ganhou caiu. O presidente da CBF (Ricardo Teixeira) nunca tirou um treinador porque ele não ganhou o ouro (em 2000, Vanderlei Luxemburgo foi demitido após a eliminação em Sydney, num momento em que enfrentava um escândalo na vida pessoal).

Mesmo assim...

Lógico que a gente está focado em vencer. A seleção brasileira não tem alternativa: disputou qualquer coisa, tem de ganhar, não interessa se tem tempo (de preparação) ou não. É essa a mentalidade e o jogador sabe disso.

Você diz que não se sente um treinador. Que está treinador e não tem a ambição de continuar na carreira. Como é isso?

Fui convocado para fazer um trabalho na seleção brasileira e vim fazer. Não me preocupa o que vou fazer amanhã. Vim para um projeto de quatro anos (com a incumbência de renovar a seleção e resgatar, nos jogadores, a vontade de defender o País). Sabíamos que iria criar atritos, mas é esse trabalho que estou fazendo. Meu foco é nos quatro anos. O que vai acontecer depois não me interessa muito.

Ao assumir, você tinha consciência de que muitos atritos viriam?

Era óbvio que ia criar alguma divergência, por minha própria personalidade. Não digo que por falta de experiência em termos de seleção, mas por minha postura, diferente da maioria dos treinadores que passaram por aqui. Ou dos treinadores em geral. Quem sabe daqui a dez anos eu seja diferente, mas hoje ainda sou dessa forma.

Que forma?

Acho que as coisas têm de ser boas para a seleção. Todo mundo tem de trabalhar em função da seleção. Se a seleção estiver bem, tudo mundo está bem.

Você é diferente hoje em relação ao que era há dois anos?

Não parece, mas estou mais tranqüilo. Em algumas coisas não adianta bater de frente, não vai resolver. É melhor deixar passar, focar a energia. Às vezes, você dá uma resposta atravessada pro cara e isso não é necessário. Então, mais do que qualquer coisa, a gente tem de trabalhar, pensar no que está fazendo.

O que você faria diferente?

Acho que minhas respostas poderiam ser mais amenas, para não criar tanta repercussão, polêmica. Mas não sei ser um personagem. O que sou aqui fora sou lá dentro. Às vezes, as pessoas não aceitam um cara franco, direto. Eu sou assim, não enrolo.

Você se tornou rancoroso depois das críticas pesadas que recebeu por conta do fracasso da seleção na Copa de 90, a da "era Dunga"?

Não, sou tranqüilo. Rancoroso é quem não aceita a vitória de 94. Agora, sou pelas coisas que têm que ser feitas, pela seleção brasileira, independentemente de quem esteja ou não na seleção.

Sob seu comando, Júlio Baptista, um jogador útil, mas limitado, vestiu a camisa 10 da seleção no jogo com a Argentina. Camisa que já foi de Pelé, Zico... Foi algum tipo de provocação?

Nem pensei nisso. Estou preocupado em fazer o time jogar. Não estou pensando em quem vai vestir a 10, 9 ou 8. E alguém tem de jogar com a 10. Ou então vamos tirar a 10 do Brasil.

Recentemente, Socrátes disse que você errou ao brigar com Kaká e Ronaldinho Gaúcho ao assumir a seleção...

Eu não briguei. Quando cheguei, eles ainda não tinham começado a jogar. As pessoas têm de se informar melhor. Por isso, às vezes dou uma resposta atravessada e não entendem. Quando tu estás na seleção, tem de fazer seu trabalho. Falar de quem está aqui não adianta, quando esteve lá e não fez. Respeito o Kaká e o Ronaldinho, mas tem de prevalecer o trabalho em equipe. Na época, falei com os dois. Cada um conquista o seu espaço, eles são o que são porque conquistaram. Ninguém deu nada de graça para eles.

Como é o seu relacionamento com os jogadores?

Eu respeito todos. Essa é minha visão como jogador e como treinador. Eu tenho 22, não vou respeitar só dois. Há pessoas que respeitam só dois e esquecem dos outros.

O que você vai fazer ao encerrar esse ciclo de quatro anos?

Não me imagino fazendo nada. Penso no momento. Daqui a dois anos, vamos ver o que acontece. Tem tempo até lá.



Siga o @estadao no Twitter

Programação da TV

  • 14/02 Agora

    Bayer Leverkusen x Barcelona

    Futebol | Liga dos Campeões

    ESPN Brasil e Esporte Interativo
  • 14/02 Agora

    Lyon x APOEL

    Futebol | Liga dos Campeões

    ESPN
  • 14/02 19h00

    Jogos

    Tênis | Brasil Open

    SporTV 2 e BandSports
  • 14/02 19h00

    Uberlândia x Pinheiros

    Basquete | NBB

    SporTV
  • 14/02 21h00

    Osasco x Praia Clube

    Vôlei | Superliga Feminina

    SporTV
Programação completa
Classificados de Imóveis
Carros | Empregos | Mix