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cartel de trens

Secretário de Alckmin pede acareação com acusador do cartel de trens

Citado como destinatário de propina, Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico) diz que PT usa caso para tentar abafar mensalão

11 de janeiro de 2014 | 2h 03
Fausto Macedo e Fernando Gallo - O Estado de S.Paulo

Rodrigo Garcia, deputado licenciado pelo DEM e secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), diz estar pronto para uma acareação com o delator do cartel dos trens, Everton Rheinheimer, que o acusou em depoimento à Polícia Federal como suposto recebedor de propinas do esquema que teria vigorado no setor entre 1998 e 2008, nos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Alckmin.

Rodrigo Garcia, do DEM, afirma que acusações de proprina são uma 'maluquice' - Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão
Rodrigo Garcia, do DEM, afirma que acusações de proprina são uma 'maluquice'

Garcia conta que, em 2010, recebeu o ex-executivo da Siemens em seu escritório político, mas nega ter tratado com ele sobre licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). "Não sei a que atribuir as maluquices dele (Rheinheimer)." Seu advogado, Alexandre de Moraes, assinala que nos 52 volumes do inquérito do cartel o nome de Garcia é citado só três vezes, sem que haja uma única menção a provas. O secretário acredita que as denúncias têm viés político-eleitoral. Para ele, a delação é "antídoto do mensalão".

Como o sr. conheceu Rheinheimer?

Sei de quem se trata. Me familiarizei com ele pelas fotos de jornal. Lembrava dele como um ex-diretor de multinacional. Puxando na memória, se eu o recebi como líder do PFL (na Assembleia), recebi uma vez, como recebi tantas outras pessoas desse e de outros setores. É atividade parlamentar. E depois da eleição de 2010 lembro que ele esteve no escritório político. Eu já era deputado federal. Ele fez uma visita. É isso o que lembro. Não tenho nenhum tipo de relacionamento próximo, não sei onde mora, o que faz, se mora no Brasil, o que tem no Brasil, o que deixa de ter.

Como foi essa visita no escritório?

Eu tinha acabado de ganhar a eleição, ele tinha comprado um convite de jantar, que eu faço em toda campanha, e foi me cumprimentar, desejar boa sorte. Mas não foram reuniões específicas, institucionais. E foram no escritório político. Essa última, e talvez uma anterior, antes de eu ser presidente da Assembleia.

O sr. tinha participação em licitações?

Nenhuma. Sou deputado de quatro mandatos. Dois eu exerci na plenitude, como estadual. Nos últimos dois mandatos ocupei quatro secretarias, duas na Prefeitura e duas no Estado. Tenho uma vida pública de 15 anos. Nos meus atos formais, como na presidência da Assembleia, não tenho nenhum tipo de questionamento, nem nos meus atos no Executivo. Como deputado, fui líder de bancada, presidente da Comissão de Transportes, da de Agricultura, membro da Comissão de Constituição e Justiça. Fui presidente da Assembleia.

Ele o procurou alguma vez quando o sr. presidia a Comissão de Transportes?

Me lembro como líder do PFL. A distribuição de comissão é proporcional aos partidos. O PFL, agora DEM, sempre foi o terceiro partido. O PSDB e o PT escolhem as quatro maiores, aí sobra Transportes, Infraestrutura... Você vai para uma indicação partidária e não tem nenhum tipo de decisão unilateral de presidente de comissão.

Quando ele o procurou pela 1ª vez?

Acho que 2001, 2003. Não tenho registro dessas visitas. Há mais de dez anos, com certeza. Não me recordo o assunto. Não foi nada que chamasse a atenção, provavelmente planos de investimento da empresa (Siemens). Lembro dele em 2010, no escritório político. Essa foi a mais recente, (ele me desejou) 'boa sorte'. Foi isso.

Em 2006 e em 2010, ele doou dinheiro para suas campanhas eleitorais. São as únicas doações conhecidas que ele fez.

Vi pelos jornais. Eu faço jantares. Centenas de outras pessoas físicas e jurídicas compram. Esses convites são algo natural. São equipes de colaboradores, pessoas que sabem que sou candidato, vão lá e colaboram.

A que o sr. atribui as acusações?

Esse negócio começou há mais de quatro anos. Chega a meses da eleição, vem um documento apócrifo, vazado pelo Simão Pedro (deputado estadual licenciado pelo PT e secretário municipal de Serviços). De repente, (Rheinheimer) desdiz o que falou. Aí chamam para reinquirição, muda a versão de novo. Ele não tem credibilidade. Vai saber até por interesse de quem. Fala que beltrano, fulano e sicrano recebiam, esse aqui falei de propina com ele, esse outro falei com o assessor dele. E diz que não tem provas. Ele não aponta claramente. É coisa vaga, atendendo a não sei quais interesses. Parar a investigação do inquérito, ganhar tempo, prejudicar nosso governo, bater na oposição ao governo federal...

Ele diz que tratou de 'comissão'.

Ele afirma que falou de comissão e propina comigo, mas que não foi quem entregou, não pode provar. A procuradora era terminantemente contra subir o inquérito, dizendo que haverá prescrição de crimes. Ela compara a delação à confissão, que mesmo confissão tem de ser acompanhada de indícios e provas. Se não, pode ter outro objetivo, que é desvirtuar o andamento.

Nunca tratou de propina com ele?

Imagina! Soube da história de cartel por notícias de jornal.

O sr. nunca ouviu falar em cartel?Nunca. Inclusive havia um programa grande de avanço do governo na área dos transportes. O Covas tinha acabado de fazer a concessão das rodovias. Não tinha agência reguladora, me dediquei a esse projeto.

Em 2010, quando ele procurou o sr., ele não estava mais na Siemens...

E já tinha delatado o cartel. Como pessoa pública, quantas pessoas você recebe? É obrigação. A conversa não tem sequência, morreu. É um projeto de lei, uma sugestão. É normal da atividade parlamentar. Você não é obrigado a saber os antecedentes da pessoa que recebe. Eu nem ligava essa pessoa (Rheinheimer) a essa história. E essa história já existia em 2010. Fiquei sabendo depois da eleição que comprou o convite do jantar. Eu só peço para o meu contador não deixar ter doação ilegal.

O sr. cogitou se afastar do governo?

Não tem sentido. É tão sem pé nem cabeça, para atingir o governo. A única recomendação que recebi do governador na virada do ano foi continuar acelerando os projetos. As matérias trazem o relato e concluem: 'Mas ele diz não ter provas'. Tem um fato concreto, objetivo, indícios mínimos? A procuradora falou que não. O juiz falou que não. Estou tranquilo. Não quero que uma reputação construída com esforço e dedicação seja arranhada por um maluco. Ele fala que tratou de comissões, propina comigo. Não fala que me deu. É uma piração. O cara fala o que quer.

Acha que é uma questão política?

O que ele (Rheinheimer) escreveu na denúncia em carta apócrifa, está claro que há um acordo político. Faz isso, mas, se eu delatar, quero emprego tal. Vamos entrar com denunciação caluniosa. Por que há seis meses de uma eleição vem nome de políticos? Estou falando desse maluco. Por que não denunciou em 2008? Ele fez uma coisa que gerou inquérito, quebra de sigilo, busca e apreensão. Por que perto da eleição ele faz isso? Parar o inquérito? Obter vantagem de outro partido e atingir o nosso lado na política?






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