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REGINALDO LEME

Sempre é tempo!

04 de fevereiro de 2012 | 3h 07
REGINALDO LEME - O Estado de S.Paulo

A semana começou com a saída do anuário AutoMotor 2011/2012, que começa na semana que vem a ser distribuído para as livrarias. Momento importante para mim e toda uma equipe que, já há 20 anos, passa cinco meses por ano produzindo o livro, e já começa a pensar nas novidades que devem constar da próxima edição. Certamente, um dos destaques será para a categoria Le Mans Series, que passa a ter uma corrida realizada no Brasil (15 de setembro em Interlagos) e a Grand-Am, que viu o brasileiro Osvaldo Negri vencer as 24 Horas de Daytona no último fim de semana.

Negri é o exemplo do piloto talentoso, que, por falta de apoio financeiro, não chegou à Fórmula 1 como merecia. Tetracampeão brasileiro de kart, campeão de mini fórmula aos 10 anos, aos 23 foi para a Europa tentar seguir o caminho de Emerson, Piquet e Senna e, sem contar com patrocínio algum, passou dois anos batendo na porta das equipes de F-3. Eddie Jordan foi o único chefe de equipe a lhe dar uma chance na pista de Thruxton. Ele e o inglês Johnny Herbert foram os mais velozes do teste, mas a vaga ficou com Herbert, que chegaria à F-1 em 89. Negri voltou para o Brasil, fez algumas corridas de F-3, e quando disputou o campeonato inteiro em 1990 conquistou o título sul-americano. Em 91, de volta à Europa, levou a estreante Bowman Racing a andar no pelotão da frente, o que lhe deu a grande chance de correr em 92 pela West Surrey, a mesma dos campeões Ayrton Senna, Mauricio Gugelmin, Mika Hakkinen, Jonathan Palmer e Rubens Barrichello. Não vieram os resultados, terminou o campeonato em 3.º e ficou mais longe da F-1.

Aí ele mudou o rumo da carreira. Correu no México e em várias categorias norte-americanas. Ganhou muito respeito nos EUA e hoje, aos 47 anos, mas "com espírito de 15", como ele diz, faz as temporadas completas da Grand-Am desde 2004. Considera-se feliz da vida ao lado da mulher, Cláudia, e das filhas, Ana Cláudia (21) e Nathalia (16), aquelas que viveram a última hora da corrida em Daytona nos boxes de mãos dadas com o pai.

Osvaldo Negri tem agora no currículo uma vitória na 50.ª edição da 24 Horas de Daytona e, no pulso, um relógio Rolex Daytona (como prêmio). Essa foi até agora a vitória mais importante da carreira desse brasileiro, que vai continuar na Grand-Am, mas ainda curtindo o sonho de disputar uma 24 Horas de Le Mans.

A Grand-Am, que há algum tempo já também conta com Christian Fittipaldi (venceu em 2008), Ricardo Zonta, Rafael Matos e já teve Raul Boesel como vencedor em 1998, é um caminho para o piloto com expressão internacional, mas já sem chance de conseguir uma das raríssimas vagas na F-1 ou mesmo na Indy. Para esses pilotos já existe vida fora da F-1. E uma categoria que este ano vai merecer toda a atenção da FIA é a Le Mans Series, que passa a ter uma corrida disputada no Brasil no dia 15 de setembro em Interlagos. Mas a Le Mans Series é um capítulo à parte, que merece ser assunto para uma próxima coluna. E para a próxima edição do anuário AutoMotor, que estará este mês nas livrarias de todo o Brasil, mas pode também ser adquirido pelo e-mail compra@rleme.com.br ou pelo site www.automotoresporte.com.br.



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