Servidora fantasma perde cargo na Assembleia
Deputado Aldo Demarchi diz que Camila o assessorava em Rio Claro, mas pediu para sair por 'não ter sido clara' ao se explicar ao 'Estado'
A Assembleia Legislativa de São Paulo exonerou nessa terça-feira, 29, a funcionária Camila Joly, que estava lotada na 2.ª Secretaria. O desligamento ocorre após reportagem do Estado, no domingo, ter mostrado que ela alegava dar expediente em São Paulo todos os dias, enquanto o chefe de gabinete da 2.ª Secretaria, Ednilson Vicente, assegurava que ela trabalhava em Rio Claro, base do deputado Aldo Demarchi (DEM). A reportagem localizou-a trabalhando em um jornal na cidade de Santa Gertrudes.
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"Camila Joly prestava assistência à minha assessoria de imprensa em Rio Claro e região. O fato de ela não ter sido clara na resposta dada ao jornal O Estado de S. Paulo com relação ao seu local de prestação de serviço gerou tal insatisfação que a funcionária pediu que o gabinete da 2.ª Secretaria providenciasse sua exoneração", afirmou Demarchi ao Estado, em nota.
Camila Joly é sobrinha do prefeito de Santa Gertrudes, João Vitte (DEM), correligionário de Demarchi. O deputado também emprega na secretaria dois filhos do prefeito, Cristiane Vitte e João Carlos Vitte Jr., e já teve como funcionários a mulher e um cunhado do prefeito.
João Vitte, por sua vez, tem como chefe de gabinete José Antonio Milani, marido de uma sobrinha de Demarchi.
Cristiane Vitte também trabalha no mesmo jornal em que o Estado localizou Camila. "Ela também fica (no jornal). Fica lá à noite. É um semanário, nem pode se chamar de jornal. Não tem assinatura, sai uma vez por semana", diz o prefeito João Vitte, que admite que o jornal é de propriedade de sua família. Segundo ele, seus dois filhos trabalham como assessores do deputado em Rio Claro.
Vitte, no entanto, recusa a ideia de nepotismo cruzado. "Inclusive tenho um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que assinei com a promotoria em 2009. Já foi questionado isso, não dá nepotismo." Aldo Demarchi foi questionado sobre a contratação dos parentes do aliado político, mas não respondeu a nenhuma das perguntas.
O professor de direito da PUC-SP, Pedro Serrano, afirma que não se pode qualificar a prática como nepotismo cruzado porque se trata de instâncias diferentes da Federação, mas lembra que a Constituição trata do princípio da impessoalidade: "As nomeações têm de se dar para atender a interesse público e não para empregar alguém porque é parente de alguém".
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