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Sindicatos voltam às ruas contra Sarkozy dia 23

09 de setembro de 2010 | 0h 00
Andrei Netto - O Estado de S.Paulo

O governo da França vai enfrentar no dia 23 uma nova jornada de protestos contra a reforma da previdência proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy, atualmente em fase de análise no Parlamento. O anúncio foi feito no início da noite de ontem, em Paris, horas depois de o Palácio do Eliseu reforçar sua intenção de persistir no projeto de aumentar a idade mínima da aposentadoria de 60 para 62 anos.

A queda de braço entre governo e sindicalistas chegou ao ápice na terça-feira, quando mais de um milhão de trabalhadores, segundo a polícia, e mais de 2,5 milhões, de acordo com os organizadores, saíram às ruas para protestar contra a reforma. Os trabalhadores também pedem a demissão do ministro do Trabalho, Eric Woerth, suspeito de liderar um esquema de financiamento ilegal de campanha.

Ontem pela manhã, durante reunião do Conselho de Ministros, Sarkozy disse que insistirá na reforma, em especial no aumento da idade mínima de aposentadoria. Ainda assim, Sarkozy anunciou concessões superficiais no projeto de lei, prevendo regras mais flexíveis para funcionários públicos com mais de 15 anos de carreira, trabalhadores que iniciam a carreira antes dos 18 anos ou que cheguem aos 60 anos com até 10% de incapacidade física. Segundo o Ministério do Trabalho, os benefícios representarão renúncia fiscal de ? 1 bilhão ao ano por parte do Estado.

As concessões não agradaram os sindicalistas e a oposição. Em protesto, seis das oito maiores centrais do país concordaram em um novo "dia de ação".

Referindo-se às alterações no projeto, Jean-Claude Mailly, líder da Força Operária, resumiu a insatisfação: "Não são nada além de medidas já esperadas." Segundo ele, as propostas tendem a aumentar a desigualdade social.

No Partido Socialista, o maior de oposição, o discurso foi o mesmo: "As concessões do governo são migalhas", definiu o deputado Jean-Louis Bianco, um dos líderes da esquerda.

Mas a nova mobilização deverá ocorrer somente após a aprovação da reforma pelos deputados - a votação está prevista para a próxima semana. A esperança dos sindicatos é reverter a decisão no Senado, que deve analisar a reforma no final do mês.