Síria amplia matança com tanques e EUA buscam no CS apoio contra Assad
Países pedem aos outros membros do conselho que aprovem uma condenação ao regime sírio
CORRESPONDENTE / NOVA YORK - As forças de Bashar Assad aumentaram a repressão à oposição síria no primeiro dia do Ramadã (mês sagrado islâmico), enquanto os EUA intensificaram a pressão - após uma reunião de emergência convocada por Alemanha, Grã-Bretanha, França e Portugal - para que os outros membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovem uma resolução condenando a violência do regime de Damasco.
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"Pedimos a todos os membros do Conselho de Segurança que se opõem a uma ação para conter as matanças comandadas por Assad que reconsiderem suas posições", disse ontem a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acrescentando que o regime de Assad "perdeu a legitimidade".
Apenas nos últimos dois dias, mais de cem pessoas foram mortas pelas forças de segurança sírias na cidade de Hama, de acordo com relatos de opositores. O regime, segundo a agência de notícias estatal Sana, desmente o número de vítimas e afirma que, na realidade, suas forças têm sido alvejadas por milícias armadas.
O temor de Assad, segundo analistas, é que as manifestações se intensifiquem durante o mês do Ramadã e atinjam as cidades de Damasco e Aleppo, que concentram mais da metade da população síria. Ao longo do Ramadã, as pessoas costumam ir às mesquitas todos os dias e realizam reuniões familiares, o que provoca aglomerações. Além disso, por precisar jejuar de dia, os habitantes saem às ruas à noite, aumentando a possibilidade de manifestações noturnas.
A violência dos últimos dias levou os EUA, a França e a Grã-Bretanha a tentar, mais uma vez, aprovar alguma forma de condenação ao regime sírio no CS. A condenação pode ser feita por meio de uma resolução ou de uma declaração presidencial. O problema é que os americanos e seus aliados enfrentam obstáculos em ambas alternativas.
Uma resolução, ainda que sem sanções, sofre oposição de Rússia, China, Brasil, Índia e África do Sul. Porém, em um sinal de abertura a mudanças, a Rússia divulgou um comunicado ontem informando que "o uso da força contra civis é inaceitável e deve parar".
Nos últimos dias, aumentou a possibilidade de uma declaração presidencial que contaria com o apoio de russos e chineses. Mas seria necessário um consenso dos 15 membros do CS. O Líbano, temendo instabilidade interna e com um governo próximo a Assad, ficaria contra. Segundo o Estado apurou, essa é justamente a estratégia da Rússia, ao empurrar o ônus da negativa para Beirute, que representa os árabes no CS.
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