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Síria manipula registros para liberar cadáveres

Segundo diplomatas, em pelo menos três cidades os sepultamentos só são autorizados se a família atestar que a morte foi causada por 'terroristas'

14 de fevereiro de 2012 | 3h 07
JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo

Hospitais públicos sírios, por ordem do regime de Bashar Assad, estariam manipulando o registro de mortos no conflito no país para elevar o número de pessoas supostamente assassinadas por "terroristas". A informação foi passada ao Estado por altas fontes diplomáticas ocidentais, ainda presentes em Damasco.

Dezenas de famílias que buscam os corpos de seus parentes em hospitais descobrem que só podem retirar o cadáver, receber o atestado de morte e a autorização para o sepultamento se assinam um documento em que reconhecem que a morte foi causada por um ataque de "terroristas", forma que o governo vem utilizando para qualificar a oposição armada.

Diplomatas ocidentais em Damasco dizem que a violência está sendo conduzida tanto pelo regime quanto por grupos de opositores. Mas não resta dúvida de que grande parte dos assassinatos é conduzido pela máquina do regime.

A prática de manipulação dos registros dos mortos teria começado há menos de um mês, em especial em Homs. Mas a exigência de assinar a documentação com essas ressalvas também já existe em Damasco e Alepo. Segundo os diplomatas que receberam as denúncias e estariam usando seus informantes para entender o que ocorre no país, mais de uma centena de famílias passaram por esse constrangimento.

Brasileiros. Edgard Casciano, embaixador do Brasil em Damasco, disse ao Estado que ordenou um reforço da segurança da embaixada brasileira na Síria. "Com o agravamento da crise, reforcei a segurança da embaixada e de seus funcionários", declarou.

Sobre a situação dos brasileiros na Síria, o embaixador revela que a família que estava presa no meio da violência em Homs já está a caminho de Damasco. O casal e seus dois filhos deverão embarcar para o Brasil nos próximos dias.

Haveria ainda uma segunda família, também de Homs, em situação crítica. Mas os confrontos, pelo menos na região onde moram, tiveram sua intensidade reduzida, o que permitiu sua saída da área para viver em um local mais seguro.

Já pensando em garantir que as famílias sírio-brasileiras tivessem acesso a uma possível fuga para o Brasil, a embaixada do País em Damasco iniciou em março do ano passado uma atualização dos registros de todos os brasileiros no país, assim como de passaportes.