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Situação atual da Europa é pior que a da crise passada, diz Brown

Para o ex-premiê britânico, na crise de 2008, os governos tinham condição de socorrer os bancos

17 de setembro de 2011 | 0h 00
Cláudia Trevisan - O Estado de S.Paulo

ENVIADA ESPECIAL / DALIAN, CHINA

A Europa está hoje em uma situação pior que a da crise financeira de 2008, com bancos "extremamente subcapitalizados", governos incapazes de socorrê-los em razão de restrições fiscais e enfrenta uma ausência de crescimento econômico, afirmou ontem o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, na edição de verão do Fórum Econômico Mundial, em Dalian.

Segundo Brown, os 400 bilhões do Fundo de Estabilização Financeira não serão suficientes para resolver o problema bancário e fiscal na Europa, o que exigirá assistência do Fundo Monetário Internacional e de países superavitários, como a China. Segundo ele, a quantidade de recursos necessária é "substancialmente maior" que a existente no fundo.

Na crise iniciada em 2008, os governos tinham condições de socorrer os bancos, situação inexistente atualmente, observou. E o risco de recessão pode agravar ainda mais o problema.

Ecoando um sentimento que permeou os três dias do evento, Brown criticou a ausência de liderança política e ressaltou que o G-20 não executou a maioria das tarefas que se impôs em 2008-2009, quando se consolidou como um novo mecanismo de governança global, em substituição ao G-7.

Na avaliação do político britânico, a única conquista do grupo de países desenvolvidos e emergentes foi evitar a recessão mundial. Os desafios de estabelecer uma nova arquitetura financeira global e costurar um amplo acordo para retomada do crescimento foram esquecidos, observou.

O G-20 também não responde à urgência exigida pelo momento atual, avaliaram os participantes do fórum. O encontro de líderes do grupo agendado para novembro deveria ser antecipado, defenderam Brown e o ex-vice-presidente do Citigroup William Rhodes. "Por que esperar até novembro?", perguntou Rhodes em painel realizado na quinta-feira.

Apesar de suas deficiências, George Yeo Yong-Boon, ex-ministro das Relações Exteriores de Cingapura, lembrou que não há alternativa ao G-20. "Nós precisamos do G-20 porque não há alternativa. É inevitável que seja desorganizado, porque é um novo arranjo global", opinou.

Tidjane Thiam, executivo-chefe do grupo financeiro Prudential, afirmou que o mercado quer um plano de ação que tenha credibilidade. "Assim nós podemos ter papéis nos quais acreditamos", ressaltou. Em sua opinião, os bancos europeus estão expostos às dívidas soberanas na região e todo o sistema corre o risco de entrar em colapso.

Brown defendeu um pacto global para retomada do crescimento, que inclua o compromisso de países superavitários consumirem mais e dos deficitários de enfrentarem seus problemas fiscais. "Sem um acordo de crescimento, a Europa e os Estados Unidos terão dez anos de baixa expansão, alto desemprego e protecionismo elevado."

Em painel realizado no dia anterior, Hans-Paul Bürkner, presidente do The Boston Consulting Group, avaliou que a moratória grega é inevitável e quanto antes ela ocorrer, melhor. "A cada três meses eles vão ter que admitir que não estão conseguindo cumprir seus planos. O risco de default é como uma espada suspensa sobre todos nós."


Mundo em crise

GORDON BROWN
PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO

"Sem um acordo de crescimento, a Europa e os Estados Unidos terão dez anos de baixa expansão, alto desemprego e protecionismo elevado."

"Os bancos estão extremamente sub-capitalizados."



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