Situação de bahais mobiliza brasileiros
Organizações do País querem acompanhar julgamento em Teerã
Representantes de organizações civis e de defesa dos direitos humanos do Brasil pedirão ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que permita o acesso de observadores independentes ao julgamento dos sete líderes da minoria bahai, presos no Irã sob acusação de espionar para Israel e outros crimes. A audiência, em 2ª instância, foi marcada para dia 7, na Corte Revolucionária de Teerã, que ontem executou dois dissidentes. As entidades temem que esse seja o destino dos bahais.
A demonstração de repúdio contra decisão do Irã é inédita entre brasileiros e motivada pela aproximação dos dois países. As entidades exigem que o governo brasileiro interceda contra violações denunciadas pela Nobel da Paz Shirin Ebadi, em entrevista ao Estado, no domingo. A carta com o pedido a Ahmadinejad, assinada pelo secretário especial de Direitos Humanos de São Paulo e ex-ministro da Justiça, José Gregori, e outras autoridades, pela Assembleia Legislativa do Estado, e as organizações, foi encaminhada ao presidente Luis Inácio Lula da Silva e ao chanceler Celso Amorin. A comunidade bahai, com 57 mil no País, fará na quinta, às 10 horas, no Parque do Ibirapuera, ato pela libertação dos acusados.
AMIZADE
"O Brasil deve tirar partido dessa "amizade" com o regime iraniano para alertá-los sobre o mal-estar que essa atitude absurda, de executar minorias religiosas e oponentes políticos em pleno século 21, provocaria na relação entre os dois países", disse Gregori. "Será um escândalo se o presidente Lula não se manifestar, porque um governo democrático, com liberdade religiosa, não pode permitir a um parceiro, ainda que apenas comercial, violar direitos humanos universais."
Embora o Irã adote a sharia, lei islâmica, o advogado Aldir Guedes Soriano, da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), diz que a legalidade das prisões e julgamentos pode ser contestada por leis internacionais. "A liberdade religiosa e o direito a ampla defesa são garantias de convenções das quais o Irã é signatário", diz. O Estado procurou a embaixada do Irã no Brasil, sem retorno.
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