Só três cidades do interior do País têm tarifa zero

A tarifa zero para o transporte coletivo - uma das bandeiras levantadas pelos manifestantes que protestam contra o aumento da passagem em São Paulo - é uma realidade em três cidades do interior do Brasil. Os municípios de Porto Real, no Rio, Ivaiporã, no Paraná, e Agudos, em São Paulo, oferecem a gratuidade do transporte.

GABRIELA VIEIRA, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2013 | 02h04

Somadas, as populações das três cidades não ultrapassam 100 mil habitantes, enquanto a capital paulista possui mais de 11,2 milhões de moradores, de acordo com o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da diferença de tamanho, alguns especialistas nas áreas de mobilidade urbana e administração pública acreditam ser possível a aplicação da tarifa zero na capital.

"A tarifa zero independe do tamanho da cidade. Ela é possível, mas depende do planejamento financeiro de cada município. Em uma cidade do tamanho de São Paulo, o planejamento técnico precisa ser muito maior, além de envolver também os governos estadual e federal", explica Lúcio Gregori, que foi secretário de Transportes durante a gestão de Luiza Erundina (PT), em 1990. Ele foi responsável pelo projeto da tarifa zero para a cidade, que acabou não sendo votado pela Câmara Municipal na época.

Pelo mundo. Gregori afirma que a gratuidade do transporte coletivo já é uma realidade - e bem-sucedida - em cidades de médio porte em outros países. "Nos Estados Unidos, há 32 cidades com média de 400 mil a 500 mil habitantes que adotam a tarifa zero."

Especialistas em mobilidade urbana e administração pública da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) destacam a experiência em diversas cidades de médio porte da Europa, entre elas a capital da Estônia, Talinn. Sidney, na Austrália, também oferece linhas de ônibus gratuitas. No Brasil, a cidade de Paulínia, que fica a 118 km de São Paulo e tem mais de 82 mil habitantes, teve tarifa zero até 1990.

Prós e contras. Quem defende a ideia argumenta que o transporte coletivo gratuito traz ganhos econômicos para a cidade. "Em primeiro lugar, todas as atividades econômicas só são viáveis a partir do momento em que a população consegue acessar seu local de trabalho", diz Gregori.

Já o professor Diogenes Costa, especialista em mobilidade urbana da Unicamp, acredita que o tamanho continental do Brasil e a complexidade das vias urbanas impedem a aplicação da tarifa zero em cidades maiores.

A má qualidade do transporte público já oferecido somada a um aumento significativo da demanda que a ausência de cobrança geraria provocam questionamentos sobre a viabilidade.

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