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Surdo, cuíca, reco-reco e gongo. É o Carnaboxe

No centro da quadra da Nenê de Vila Matilde será montado um ringue, que receberá 19 lutas

03 de fevereiro de 2012 | 3h 08
Alessandro Lucchetti - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Neste sábado, além dos surdos, cuícas e reco-recos, vai soar também o gongo na quadra da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde. O local vai receber o Carnaboxe, num programa que inclui a disputa de 19 lutas. O combate principal apresenta Jackson "Demolidor" Júnior contra o argentino Gustavo Javier Kapusi.

Jackson 'Demolidor' Jr. é a principal atração - André Lessa/AE
André Lessa/AE
Jackson 'Demolidor' Jr. é a principal atração

Nos intervalos, a bateria da Nenê vai tocar os últimos 16 sambas-enredo da agremiação. E as "ring-girls", as garotas que seguram as placas que indicam o número de cada round, obviamente serão as mulatas da escola.

A ideia é de Marcelo Ferraz, o presidente da entidade que organiza o evento, a Aproboxe. Como ele treinou boxe quando era jovem com o presidente da Nenê, Rinaldo José de Andrade, o Mantega, foi fácil viabilizá-la.

Mais do que a inusitada mistura de carnaval com pugilismo, o evento é uma oportunidade de ver em ação Jackson Júnior, um dos lutadores mais promissores do Brasil. No ano passado, ele derrotou Pedro Otas, na luta que foi apontada como a melhor do ano no País. Jackson está ranqueado no Conselho Mundial de Boxe, ocupando a 30.ª posição.

Seu manager é Servílio de Oliveira, único medalhista olímpico brasileiro no boxe, responsável pela condução da carreira de Valdemir "Sertão" Pereira, que foi campeão mundial dos penas.

"Pode parecer arrogância, mas nós fizemos um campeão do mundo e temos tudo para fazer outro. E o Jackson tem uma coisa que o Sertão não tinha, que é a pegada", compara Ivan de Oliveira, o Pitu, filho de Servílio e treinador do Demolidor.

Jackson, um meio-pesado (até 79,4 kg) com dez vitórias em igual número de lutas, com nove nocautes, sonha com um patrocínio. Por ora, divide o tempo entre os treinos e alguns bicos. Caso não consiga apoio, a partir de março terá de voltar a trabalhar numa metalúrgica perto de sua casa, na zona sul, "descascando ferro", como gosta de dizer. Sem poder treinar em dois períodos, Jackson tem dificuldades para ascender. "A gente sabe se vestir, mas não tem roupa", diz Pitu.

O lutador de 26 anos tem contrato com o promotor norte-americano Arthur Pellulo, o mesmo que organizava as lutas de Acelino "Popó" Freitas. Mas ele não tem incluído Jackson em suas programações. Caso esse cenário não se altere, o lutador vai tentar rescindir o contrato.

Outra atração da noite é a luta do baiano Hamilton Ventura, que recebeu o apelido de "Geladeira" porque esmurrava uma nos treinos. O baiano já tem quatro vitórias, todas por nocaute.

A quadra fica na Rua Júlio Rinaldi, n.º 1, na Penha. A entrada é um quilo de alimento não perecível. As lutas começam às 17 horas.




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